segunda-feira, maio 30, 2011
Página de "dias de agora" - aqui
sexta-feira, março 04, 2011
Gerry Adams

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segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Pennac - La Débauche ou A Sacanice
Hoje, escrevo sobre outro, que o Ecrire me fez retirar de um amontoado de livros, e reler. Este, a Sacanice, é um livro de banda desenhada, que Pennac fez com Tardi, e que deve ser o único Pennac que li em português, que a Terramar editou em 2000.

A banda desenhada é dedicada:
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Aos despedidos
Aos dispensados
Aos flexibilizados
Aos redimensionados
Aos precarizados
Aos globalizados
Em suma, a todos os que estão a ser cilindrados.
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Isto em 2000. Passaram mais de 10 anos, mais de uma década e a dedicadórias tornou-se ainda mais actual.
Deixo um bocadinho de La Débauche, em que, numa jaula do Jardim Zoológico, há uma jaula com um animal devidamente identificado:

sábado, fevereiro 26, 2011
Contos não políticos - A amizade nas mãos

E ele contou. Naquela conversa. Ali. Informal e amiga.
Ecos do Som da Tinta - 1
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
Memórias do Som da Tinta

sexta-feira, julho 30, 2010
"Ensaio" sobre tradução
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(*) Vassar College é uma das mais antigas e tradicionais instituições privadas, mista de ensino e de artes, nos Estados Unidos. Situa-se em Poughkeepsie, cem quilómetros ao norte de Nova Iorque. Fundado em 1861, foi a primeira universidade exclusivamente para mulheres nos Estados Unidos.
quinta-feira, julho 29, 2010
O complexo de Portnoy - 2
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Numa primeira, em dois trechos interligados, Philip Roth ilustra como, na infância e adolescência de Alex (e na sua!), a condição de judeu o(s) marcou indelevelmente. Todo o livro, até em designações não traduzidas, é marcado pela situação dos judeus nos Estados Unidos e no mundo e, depois, em Israel.
A conversão religiosa por que ele pergunta àquela que estava a pensar que amava, e tanto que exultavam com a falha de um período menstrual deste partindo para projectos futuros, é sobre a conversão ao judaísmo, e as consequências da resposta são devastadoras para a relação, ao mesmo tempo que, em meia dúzia de linhas - em desabafo ao psicanalista - PR tanto diz sobre nós todos, judeus ou não, na perplexidade que acompanha a ruptura de uma relação:
1. - «(…) Eu disse-lhe: “E tu convertes-te, não é?”
Fiz a pergunta em tom irónico, ou pelo menos era essa minha intenção. Mas a Kay levou-a a sério. Não foi ao ponto de me dar uma resposta solene, mas respondeu a sério.
Kay Campbell, de Davenport, Iowa: "Porque é que eu havia de fazer semelhante coisa?"
(…)
Ainda assim, pelos vistos, eu nunca mais lhe perdoei: nas semanas que se seguiram ao falso alarme, comecei a achá-la enfadonhamente previsível nas conversas, e pouco mais ou menos tão desejável como um monte de banha na cama. E surpreendeu-me que ela reagisse tão mal quando finalmente tive de lhe dizer que já não gostava dela. Fui muito honesto, está a ver, como aconselha Bertrand Russell. “Não quero andar mais contigo, Kay. Não posso esconder aquilo que sinto, tenho muita pena.” Ela chorou desalmadamente: andou pela faculdade exibindo umas olheiras horríveis por baixo dos olhos azuis congestionados, deixou de aparecer à hora das refeições, faltou às aulas… E eu fiquei estarrecido. Porque sempre pensara que era eu que a amava, e não ela que me amava a mim. Que surpresa descobrir que fora exactamente o contrário.»
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quarta-feira, julho 28, 2010
O Complexo de Portnoy - 1
O Complexo de Portnoy é uma longa sessão de análise de um jovem judeu estado-unidense, decerto deitado no divã freudiano, em que ele vai contando a sua vida, tendo o livro como antefácio o diagnóstico (ou definição do chamado "complexo de Portnoy"), feito pelo psicoanalista, que apenas participa no livro com esse diagnóstico e a última e única frase do último capítulo (O FINAL DA ANEDOTA): “Muito bem (disse o médico). Então àgorrra podemos talvez começarr. Sim?”
Uma nota prévia a este escrito compulsivo sobre o livro de Roth acabado de ler: Portnoy complaint foi publicado em 1969, e só agora – em 2010 – o temos em edição portuguesa. Em 1969, Roth só tinha mais dois ou três anos que o seu Alexander Portnoy (33 anos), o que coloca este livro na linha de O animal moribundo e de Exit-o fantasma sai de cena – ou melhor: coloca estes na linha daquele –, convocando à leitura em simultâneo dos três (ou só de Exit e O Complexo) para se ter o retrato confrontado de uma vida.

O Complexo de Portnoy é um romance auto-biográfico, mas não biográfico, da juventude de um judeu nascido em Newark, que com trinta e poucos anos tem já com a extraordinária (para mim, genial) capacidade de nos contar como era a vida do(s) personagem(s) e como era o meio em que ele vivia, o mais estreito – a casa, a rua, a cidade – mas também o mais largo, tudo o que envolve uma vida.
Demorei muito tempo a lê-lo. Não por o estar saboreando. Pelo contrário. Por a sua leitura começar por me ser incómoda. Eram demasiadas punhetas, demasiadas conas, demasiadas pulsões sexuais sem o filtro da moderação da linguagem escrita. Era a análise pura e dura! Às vezes desagradável por excessiva. Título do 2º capítulo: Batendo punhetas, título do 4º capítulo: Obcecado pela cona. E os miolos condizentes com os títulos...
Passada essa barreira, de – curiosamente – raiz cultural judaico-cristã, foi a leitura que Roth me proporciona. Absorvente, fluida, conversada. Saboreada.
Acabada a leitura, diria que fiquei “freguês da análise”… mas agora é tarde porque há muito a faço, sem ajudas e sem divãs.
Que mais dizer? Por impulso compulsivo mais nada.
Por outras motivações, apenas transcrever um ou dois trechos, e fazer justiça à excelência da tradução.
domingo, junho 13, 2010
A arte de morrer longe

sábado, junho 05, 2010
João Aguiar

sexta-feira, junho 04, 2010
Sobre a ordem (e a desordem...)

(…) A ordem não consiste em economizar…
Ziffel
Claro que não. A ordem é o desperdício metódico. Tudo o que se abandona, que apodrece ou que é destruído, deve ser registado numa folha, com um número de referência: é isso a ordem. Mas essa vontade de ordem é, antes de mais, pedagógica. Há um certo número de coisas que são absolutamente irrealizáveis pelo homem se ele não as faz dentro das regras: as coisas absurdas.
(…) Por outro lado, nos tempos que correm, você não pode manter um pouco de humanidade sem alguma corrupção, o que é uma forma de desordem. Existe humanidade onde se encontra um funcionário que se deixe untar as mãos. Pode mesmo acontecer que com um pouco de corrupção você consiga que lhe façam justiça (…) se os regimes fascistas reprimem a corrupção, essa é bem a prova de que são desumanos.
Kalle
Não sei quem disse um dia que a merda não é outra coisa senão a meteria que não está no seu lugar. (…) Eu, no fundo, sou pela ordem. Mas um dia vi um filme do Charlie Chaplin em que ele metia a sua roupa toda numa mala; depois de ter tudo metido lá dentro, ele fechou a mala. Mas uma grande quantidade de pedaços de roupa ficou de fora, o que fazia a desordem; então, ele pegou numa tesoura e, pura e simplesmente, cortou as mangas, as pernas das calças, as meias, em resumo, tudo o que transbordava da mala fechada. Esta maneira de fazer deixou-me espantado. Vejo que você não dá grande valor ao amor pela ordem…
Ziffel
Eu limito-me a reconhecer as imensas benfeitorias do deixar-andar: milhares de pessoas devem-lhe a vida. Em tempo de guerra, muitas vezes bastou um ligeiro afastamento do que eram as ordens para salvar a vida de um homem.
Kalle
É verdade. O meu tio estava numa trincheira, Argonne, quando os soldados receberam a ordem para recuar e a “toca a mecha”. Em vez de obedecer sem pestanejar, eles resolveram, antes, comer as batatas que estavam nas brasas: foi assim que foram feitos prisioneiros, e portanto salvos.
Ziffel
Ou ainda veja lá o exemplo de um aviador. Estava tão cansado que não conseguia ler bem o quadro de comandos. As suas bombas caíram ao lado de um imóvel residencial em vez de acertar no alvo: cinquenta pessoas tiveram a vida salva. Está a ver o meu sentimento? Os homens não estão suficientemente maduros para uma virtude como o amor pela ordem. Para essa virtude, a sua razão não está suficientemente desenvolvida. Eles atiram-se para empresas idiotas: só a incúria e uma certa anarquia na execução podem preservá-los do pior.
(…)
Kalle
Podíamos resumir a coisa assim: onde nada está no seu lugar, é a desordem; onde nos lugares certos nada está, é a ordem.
(…)
quinta-feira, junho 03, 2010
Exilados, Emigrantes, Pátria - lugar de exílio e de migrantes
(...)
Ziffel
(…) Eles não tinham compreendido o sentido da palavra democracia. Eu quero dizê-la no seu sentido literal: poder do povo.
Kalle
A palavra “povo” é um termo muito particular, isso nunca o chocou? Não tem o mesmo sentido dentro e fora. De fora, em relação aos outros povos, os grandes industriais, os fidalgotes, os altos funcionários, os generais, os bispos, etc., fazem naturalmente parte do povo alemão e não de um outro. Mas no interior, lá onde está o poder, você ouve sempre esses senhores falar do povo dizendo: “a turba”, “a gentalha” ou “a gentinha”, etc.; eles não fazem parte do povo.
O povo bem devia falar a mesma linguagem e dizer que esses senhores não fazem parte do povo.
Então a expressão “poder do povo” teria todo o sentido, completamente racional, reconheça-o.
Ziffel
Mas isso não seria um poder democrático mas uma ditadura do povo…
Kalle
Exactamente: seria a ditadura de 999 sobre o milésimo.
Ziffel
Isso seria o bom e o bonito se não significasse o comunismo. Você tem de admitir que o comunismo reduz a nada a liberdade do indivíduo.
Kalle
Você sente-se livre?
Ziffel
Não particularmente, se me põe a questão assim. Mas porque deveria trocar a falta de liberdade em regime capitalista pela falta de liberdade em regime comunista? Parece que você aceita, de qualquer maneira, que há falta de liberdade em regime comunista.
Kalle
Sem qualquer dificuldade. Não vou estar com charlatanices. Ninguém é totalmente livre quando detém o poder, muito menos o povo. Também não o são os capitalistas, que é que pensa? Não são livres, por exemplo, para deixar um comunista instalar-se como Presidente da República. Ou para fabricar a roupa que é necessária, quanto muito fabricam a que possam vender. Por outro lado, em regime comunista, não é permitido deixar-se explorar: ora aqui está uma liberdade suprimida.
Ziffel
Deixe-me dizer uma coisa: o povo não toma o poder a não ser em caso de necessidade extrema. O que resulta do homem só pensar em caso de extrema necessidade. Quando a água lhe chega ao rés do pescoço. As gentes têm medo do caos.
Kalle
Não é medo do caos... eles acabarão por se encontrar em caves, nos baixos de casas bombardeadas, tendo, nas suas costas, SS de revólver em punho.
Ziffel
Não terão nada na barriga, não poderão sepultar as suas crianças, mas a ordem reinará e quase não terão necessidade de pensar.
Ziffel empertigou-se. A sua atenção que, durante as divagações políticas de Kalle, tinha esmorecido, reanimou-se.
Ziffel
Não queria que ficasse com a impressão que critico essa gente. Pelo contrário. Ser lúcido é difícil. Todo o homem razoável evita-os quanto pode. Em países como aqueles que conheço, onde uma tal dose de reflexão é indispensável, não é possível viver. Aquilo a que chamo viver...
Emborcou o seu copo com ar ansioso. Pouco depois, separaram-se, afastaram-se cada um para seu lado.
(Ah!, como eu gostaria de "pôr isto em cena",
encenar e - sei lá... - fazer de Ziffel ou de Kalle,
dar corpo a estes personagens!)
domingo, maio 16, 2010
Eu sou português aqui
segunda-feira, maio 03, 2010
Obrigado, Andrés
sexta-feira, abril 09, 2010
Kusturica em Ourém - Gato Preto, Gato Branco

- «a um casamento azarado pode fugir-se, mas não ao destino»
- «cala-te quando falas comigo!»
quinta-feira, abril 08, 2010
Rubem Fonseca - O Seminarista

« (…) e fui me arrastando, arrastando como um verme. Então me lembrei de uma frase que li num dos livros de Bruce Chatwin, sobre a importância da postura ereta, ainda mais do que o desenvolvimento da linguagem, ainda mais do que a presença do superego, entre esses atributos do homem que o elevaram acima do reino animal, a postura ereta era o mais importante. Anda, seu filho da puta, eu disse para mim, fica em pé, ereto, seu merda, ereto.
Então, com grande esforço me ajoelhei, depois me ergui lentamente, ficando em pé. Ereto. Poder sair do lixo sem rastejar me deu uma das maiores alegrias da minha vida. Fui andando, cambaleando mas ereto, dando passos lentos, mas ereto, como um homem deve caminhar, ereto. (…)»
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quarta-feira, abril 07, 2010
Rubem Fonseca - sobre Lima Barreto e o futebol
Rubem Fonseca é um deles. Estou a ler O Seminarista:

Págs. 73/4:
«"(… ) além de grande escritor, era um cara interessante, remava contra a maré, odiava arranha-céus e futebol. De futebol, naquela altura como até hoje, todo mundo gostava. Mas então era um esporte de brancos ricos, e isso o mulato pobre, recalcado, que comia o pão-que-o-diabo-amassou, odiava, com toda a razão. E o futebol continuou sendo um tumor discriminatório até que o Vasco da Gama fez um time com pretos e pobres e ganhou o campeonato em 1923. Por causa dos pretos e dos pobres do time o Vasco foi expulso da Liga de Futebol, mas o golpe na discriminação já havia sido dado e com o tempo a criolada e os pés-rapados dominaram os campos. Mas em 1923 o Lima Barreto já estava morto… ele morreu em… vê aí no livro."
"Primeiro de Novembro de 1923."
…»
Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13.05.1881 - Rio de Janeiro, 01.11.1923), foi um jornalista e um dos maiores escritores libertários brasileiros. Filho de mulato nascido escravo e de "escrava agregada", as lembranças e vivências do fim do período imperial no Brasil e da abolição da escravatura exerceram influência na importante obra de Lima Barreto.
terça-feira, abril 06, 2010
Rubem Fonseca-Petrarca (ou vice-versa)
e o mês,
e o ano,
e a estação,
e o tempo,
e a hora,
e o momento,
e o formoso país,
e o lugar
em que fui preso aos dois belos olhos que me cativaram...
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(O Seminarista... aqui voltarei... breve!)
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sexta-feira, abril 02, 2010
Underground - Kusturika
Venho de regresso de uma noite diferente. Em Ourém. Porque houve quem a proporcionasse. Iniciativa e trabalho de uma equipa (julgo eu...) que merece parabéns e estímulo
Um serão cultural. De cinema. No Museu Municipal. O ciclo Kusturika. Em Abril.
Venho satisfeito. E impressionado. Não diria em estado de choque... impressionado, está bem.
Não sabia se tinha visto Underground. Não tinha. É Kusturika, em 1996, a contar-nos, doridamente (muito doridamente, embora às vezes não parece, e nos faça sorrir e rir), o seu País, a Iugoslávia. Que era uma vez...
Só três frases gravadas (e não por serem das últimas, embora por razões kusturikas o sejam), e para ficarem como registo desta primeira noite... do resto das nossas vidas oureenses?
- Uma guerra só é mesmo uma guerra se irmão mata irmão.
- Era uma vez um País. (a penúltima do filme, também sub~título, como também é «Mentiras de Guerra»)
- Esta história não tem fim. (a última do filme.)