(Editions Thé Giói, Hanoi - 2006)
Reproduzo um excerto do texto anexo de Phan Nhuan, tradutor do vietnamita para francês, e dois poemas, que me atrevo a trazer para português, vindos do original chinês, em que Ho Chi Minh os escreveu, do sino-vietnamita para que foram transcritos e do francês, tal como estão neste belo pequeno livro, verdadeira prenda de aniversário.
1
Julho de 1946, Paris.
No salão de um grande hotel da “rive droite”, um jornalista fresco e rosado há um quarto de hora que persegue com questões insidiosas um homem magro, profundamente marcado pelo sofrimento e as privações, sentado atrás de um ramo muito simples de rosas vermelhas.
À volta, uma centena de repórteres e observadores de vários países.
O jornalista – Senhor Presidente, é comunista, não é verdade?
O homem, pacientemente – Sim.
- Fez a Resistência?
- Sim.
- Quanto tempo?
- Cerca de quarenta anos.
- Também esteve preso!
Percebeu-se onde o jornalista queria chegar.
- Sim.
- Que prisões?
- Muitas prisões, senhor.
- Longo tempo?
O homem magro sorriu um certo sorriso, olhou o jornalista fresco e rosado.
- Sabe?, quando se está preso, o tempo é sempre longo!
Mas, preso, não tendo nada melhor para fazer
Para passar os longos dias e me ajudar a viver
Eu rimo enquanto espero ver a Liberdade
3.
Sinto o perfume das flores, ouço o voo das aves em liberdade.
Cheirar, escutar… não me podem proibir esta felicidade
Que faz o caminho menos triste e os homens menos isolados.








Começa assim o poema:


Para tornar as coisas (talvez) mais graves para o “editor”, este fez anteceder os “3 textos íntegros” de uma “Razão de ser”, que justificava a edição na procura de “intervir num momento particular da vida política portuguesa”, quando – como afirmara o Presidente do Conselho – “Portugal atravessava um crítico período da sua história” e se mantinha aberta a Assembleia Nacional para discutir alterações à Constituição, a liberdade religiosa e a lei da imprensa. Não hesito em dizer que esse prefácio era um desafio.
Uma primeira é de Outubro de 1973, edição quase artesanal, em que se transcrevem documentos do Conselho Mundial da Paz e um abaixo assinado de portugueses – Declaração sobre a vitória do povo vietnamita e a paz no Mundo – que terminava assim
Mas houve um outro. Também verdadeiro. E nosso. Da Prelo! A que se deu o nome de O Manda-chuva. Editado no ano do livro (ou da leitura).

Camões e o pensamento filosófico do seu tempo, com estudos de Egídio Namorado, Luís de Sousa Rebelo, Roger M. Walker e João Mendes. 




Pode dizer-se que cada livro teria uma história para contar, a começar pelo primeiro da colecção que, de tão significativa (e necessariamente longa), noutros lugares tem sido contada e noutros se contará. Para resumir, chegará dizer que dos 6 primeiros volumes 3 foram imediatamente apreendidos pela repressão fascista, com todas as consequências (económicas e não só) que se podem imaginar para uma editora. Desse facto, resultaram "saídas" como as dos "cadernos", nomeadamente os cadernos PEEP.
















