sábado, outubro 24, 2009
Leite Derramado, Chico Buarque - 2ª nota-transcrição
sexta-feira, outubro 23, 2009
Reflexões lentas e curtas - leituras à margem das polémicas e da Bíblia
Não se discutem dogmas! Não se polemiza com dogmáticos.
Os dogmas aceitam-se ou rejeitam-se. Por princípio, rejeito-os; por proto-dogma, não os discuto, até porque o dogma é “um ponto indiscutível de uma crença”.
Posso (posso?) é perguntar, aos que aceitaram uns dogmas, se conhecem os dogmas que aceitaram.
Por exemplo, à margem da actual polémica suscitada pelo livro de José Saramago, há quem tenha vindo, prenhe de dogmas (decerto gémeos…), invocar os Dez Mandamentos como um “código de boa conduta”, e logo ali, expeditamente, excomungar o autor de um romance que não leu, expulsando-o de seu (e nosso) compatriota.Pego só no último mandamento desse exemplar código de conduta... No 10º mandamento (aliás 17., no capítulo xx de Exodo, Antigo Testamento-II, 1961). Na redacção, tal como nesta edição, da Bíblia Ilustrada, das “tábuas da lei” entregues a Moisés, está: “não cobiçarás a casa do teu próximo, não desejarás a mulher do teu próximo, nem seu servo ou serva, o seu boi ou o seu jumento, nem nada que lhe pertença”.
Não desejar “a mulher do próximo”, ao mesmo nível da interdição de cobiçar a casa do próximo e de não desejar, do próximo, o servo ou a serva, o boi ou o jumento, ou qualquer outra coisa que a este pertença?!
Então… e se a mulher do próximo, reciprocamente, me desejar a mim – por estar próximo… – ou a outro, e não se considerar coisa possuída mas ser humano… apesar de ser mulher?!
Estarei a descontextualizar? Talvez. Mas o curioso é que as contextualizações e adaptações, para aggiornamiento dos textos, não obviam a que, em resumos actuais, se diga, enquanto "Lei de
Deus", 10º - Não cobiçarás a casa do teu próximo e nem a mulher do teu próximo.Conhecerá, o dogmático, o dogma? E a sua esposa, conhecê-lo-á… e aceita-o?
Se conhecem e aceitam... ponto final!
Leite Derramado, Chico Buarque - 1ª nota-transcrição
domingo, setembro 20, 2009
Leite Derramado, Chico Buarque
Há muito tempo não presto contas das leituras. A quem? A mim mesmo se a mais ninguém for.
E um livro lido não me larga. Resiste ao tempo transcorrido, a necessidade de sobre ele escrever – sim, a necessidade – sobrevive a muita e tanta outra ocupação do tempo e do espírito.
Começo logo, ao "pôr a escrita (sobre as leituras) em dia”, por uma apóstrofe “Grande Chico! Grande livro, senhor Chico Buarque!”.
É que o livro é Leite Derramado, de Chico Buarque, Companhia das Letras, Brasil, 2009.
Acontece que o li depois de Exit – o fantasma sai de cena, de Phillip Roth, o que tornou a leitura mais… complicada. Dois grandes livros sobre a velhice. Muito diferentes mas iguais no/para este leitor. Que velho é, e se encontrou – aqui e ali… - no que lia em um e no outro livro.
Do de Roth já “prestei contas”. E não foram fáceis… Já do de Chico, essas contas são bem diferentes.
Depois de ter lido umas “coisas interessantes” em que visitou o universo da literatura, com este Leite Derramado, Chico Buarque instalou-se nesse universo de reservado direito de admissão. Este é, na minha leiga opinião, o livro de um escritor.
Um texto consistente, muito bem urdido, com as medidas todas e certas.
E pergunta-se, o leitor que fui do seu livro, como é que ele conseguiu.
É como se o escritor tivesse sido velho, com a memória a falhar e a confundir tudo, e tivesse voltado, novo, rejuvenescido, para contar como tinha sido, como fora ser velho.
Já outros grandes escritores fizeram parecido. Mas só parecido. Por exemplo, e só para exemplo, José Rodrigues Miguéis e José Cardoso Pires estiveram, por doença, quase “do outro lado” e voltaram para contar. Mas o Chico não. Porque não é a mesma situação de regresso. É um regresso de onde não se pode ter ido, um regresso de onde se não regressa.
De uma estada num hospital, de um colapso cardíaco, volta-se, ou pode voltar-se, para contar como foi. De um estado de senilidade mesclado de lucidez não se regressa. Até porque as intermitências são definitivas até chegar o fim de tudo.
Chico Buarque sem ter ido, sem ter vivido, sem ter sofrido o que nem sofrido será, regressou. Para contar. Como se tivesse ido, vivido, sofrido.
E, escritor a construir ficção, conta onde foi, como viveu, o que teria sofrido se sofrido fosse, mas conta também, e muito bem, tudo o que é o quadro dessa viagem individual, solitária, que não pode ter feito. Conta o Brasil, conta o contexto, o que foi passado e o que é.
Depois de Roth me ter conquistado e esmagado, Chico veio conquistar-me e fazer-me acreditar que um escritor pode contar o que não viveu, regressar de viagens que não fez, que não podia ter feito.
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Mais coisas direi. A mim mesmo… Tiradas do livro. Só três ou quatro.
sexta-feira, agosto 21, 2009
terça-feira, julho 28, 2009
O fantasma sai de cena... porque já não pertence a este lugar - 8
segunda-feira, julho 27, 2009
O fantasma sai de cena? ... isto acaba é mal! - 7
sábado, julho 25, 2009
os já-não e os ainda-não, segundo o fantasma que sai de cena - 6

sexta-feira, julho 24, 2009
A que cheira o "fantasma" que pretende(ia) sair de cena? - 5

Exit - ou... a jogar a macaca? - 4
em que as linhas divisórias são apenas uma que se desenha ao longo da(s) história(s). E essa é a "linha intransponível que separa a ficção da realidade" transposta "(n)a confissão atormentada sob o disfarce de um romance".quinta-feira, julho 23, 2009
Pode o fantasma sair de cena? - 3
terça-feira, julho 21, 2009
O fantasma sai de cena? - 2

domingo, julho 19, 2009
Há muitas maneiras de sair de cena - 1

O prazer incomparável da leitura.
O livro que todos os maiores de 60 anos deveriam ler.
E os outros também."
sábado, abril 25, 2009
Memória do 25 de Abril?
segunda-feira, abril 13, 2009
No centenário de Soeiro Pereira Gomes
domingo, abril 12, 2009
Nos 100 anos de Soeiro Pereira Gomes...
em 
sexta-feira, abril 03, 2009
Leituras desfasadas da "crise"

"43 reflexões de figuras de referência da Universidade e da vida económica portuguesa". Nem um com uma reflexão marxista-leninista, resmunguei e pousei-o. Ou melhor: rejeitei-o. Depois, repeguei-lhe. O Carvalho da Silva? A sua leitura é, decerto, sindical e para "equilibrar" a do João Proença. Folheei-o. Excerto do Krugman? Tinha de ser! Para fechar o livro, esta verdadeira provocação idiota de um qualquer Arnaldo José da Silva dizendo que "Não existe crise!!! Existe sim, uma propaganda negativa e destruidora feita pelas emissoras de televisão em troca de audiência. Desligue a televisão e trabalhe. Você surpreender-se-á com o seu sucesso!"... A culpa dos trabalhadores, claro!, que vêm muita televisão e trabalham pouco...
Em vez de o pousar apeteceu-me atirá-lo porta fora. Mas podia acertar em alguém...
Continuei a folheá-lo. Se calhar estava a fugir de ler a "reflexão" do meu ex- jovem camarada, colega de brilhante carreira académica, do António Mendonça: A natureza da crise actual.
Comprei o livro, claro. Já li umas páginas. As do António Mendonça, obviamente. Que confrontei com umas outras páginas de sua autoria (em colaboração com o Nelson Ribeiro), num outro livro que fui buscar à estante e de que, de vez em quando, me sirvo. Sobretudo de O marxismo e a crise económica actual, um muito interessante (e pedagógico) estudo de autoria desses colegas.
Que experiência curiosa. A edição é da Caminho, na Biblioteca Universidade Popular (do Porto), animada pela saudoso Armando Castro. De 1985. Dos tempos da esperançosa, ilusória, traidora perestroika. Como eles eram marxistas! Como tantos ficaram orfãos da União Soviética! E, hoje, em que estado estão alguns que até pareciam ter uma certa consistência ideológica...
O interessante é que, ao ler o texto de hoje, ele me parece, nalguns trechos, no diagnóstico, uma tradução para "capitalês" de partes do estudo de há quase 25 anos. No meio de uma incontáveis paradigmas e modelos, que até irritariam o leitor mais benevolente, a tradução de capitalismo por economia de mercado e outras, a ausência de qualquer referência a Marx, marxismo, socialismo, mais-valia, exploração, trabalhadores, essas coisas, brrr..., enterradas avestruzmente, por total omissão, como se de um espectro se tratassem (e tratam!).
Daqui deriva, apesar da utilidade das "hipóteses de apreensão das características fundamentais da crise económica actual", desde que retrovertidas para língua de economista sem fantasmas, a codificada conclusão (bem diferente das de 1985, por oportuno esconjuro ou exorcismo) de que a crise económica actual estaria a abrir "um processo de reconfiguração do modelo de organização económica e de intervenção dos poderes públicos que aponta para um maior controlo das dinâmicas de internacionalização das economias e da globalização para uma recuperação dos instrumentos e do papel da política económica a nível nacional e para uma reestruturação e reforço do papel das instituições económicas internacionais. Em síntese (...) é bem provável que a crise actual represente o fim do modelo e do paradigma económico que a crise dos anos 70 do século passado fez emergir, que a crise, posterior, dos anos oitenta consagrou em termos de paradigma e que a expansão dos anos noventa fez consolidar como modelo global." O fim "disto" e o começo de "quê"?
Será "isto" (o modelo paradigmático...) o capitalismo? O "quê" que se seguirá (ao paradigmático modelo) será o socialismo? Por obra e graça de quem? Ou com luta? E que luta? E de quem?
Ora paradigma para o modelo. Que pena que isto me faz!
sábado, março 28, 2009
Visitas e viagens a livros e livrarias
Visitas e viagens a livros e livrarias - 1


domingo, março 15, 2009
Tempo de leituras e leituras do tempo
Há que fazer alguma coisa, e algumas coisas estão a ser feitas. Não as suficientes.
Cá por mim, ganhei o vício. Bom. A boas horas. Acho eu...
Como escreve Daniel Pennac (mais ou menos assim) em “Comme un roman”, na vida deste tempo em que não há tempo para ler, cada tempo de leitura é tempo que se acrescenta ao tempo… de vida.
Estou a ler dois livros. De dois Prémio Nobel. De 2008. Le Clézio, de literatura, P. Krugman, de economia.









