Aqui o faço, ou aqui faço o que me ajude a descomprimir.
O Som da Tinta, além dos encómios públicos, outros envergonhados ou calados, foi uma livraria, um espaço cultural que, entre as mais insuperáveis dificuldades, teve de sofrer a hostilidade (quando não agressão) por “beneficiar” de uma conotação partidária. Pela minha mais notada vontade e actividade, pelo apontar acusador da ligação partidária dos convidados a virem animar o espaço.
Pois ao Som da Tinta veio, por exemplo, um senhor (o Zé Pedro dos “xutos”) que, nas vésperas de ir cantar, com o seu grupo, à Festa do Avante!, acaba de dar uma entrevista em que decretou que «o Partido Comunista tem que se adaptar ao mundo de hoje (tem de deixar de) fechar todas as portas…». Veio (aqui, portas abertas, e vai à Festa…), e foi muito interessante e útil a sua presença, até pelo que disse aos jovens sobre a droga e os seus malefícios…
Aqui, a este espaço – que agora é apenas um blog mantido por este assumido membro do PCP que eu sou –, veio quem foi proposto que viesse, e alguns, mais de uma vez convidados, não vieram (talvez...) por não ter a livraria a conotação partidária que lhes seria conveniente, por ter a que, surdamente, se insinuava mas que não impedia que convidados fossem.
A este espaço vieram Carlos André, Galopim de Carvalho, Hugo Santos, José Fanha, Mia Couto, Pedro Barroso, Pepetela, Rui Pimental, Sérgio Godinho, Vasco Graça Moura, Viriato Soromenho Marques[1], e tantos outros com posições políticas publicamente conhecidas como não sendo do PCP, ou até com assumido posicionamente partidário não no (ou anti) PCP, e muitos outros de que não se conhecem (nem pretendiam conhecer) as posições político-partidárias.
Também vieram convidados, com conhecimento público de pertença ao PCP, como Ilda Figueiredo, José Casanova, José Saramago, Pedro Namora e outros? Ah!, com certeza, e não se esperaria que, neste espaço e sendo eu nele tão influente, se promovesse ou consentisse a nossa auto-discriminação. Bem basta a discriminação que outros, os de "portas abertas", nos fazem quotidianamente e em todas as oportunidades.
Não foi bem um murro na mesa nem uma obscenidade... fiquei-me por um desabafo.
Começa assim o poema:


Para tornar as coisas (talvez) mais graves para o “editor”, este fez anteceder os “3 textos íntegros” de uma “Razão de ser”, que justificava a edição na procura de “intervir num momento particular da vida política portuguesa”, quando – como afirmara o Presidente do Conselho – “Portugal atravessava um crítico período da sua história” e se mantinha aberta a Assembleia Nacional para discutir alterações à Constituição, a liberdade religiosa e a lei da imprensa. Não hesito em dizer que esse prefácio era um desafio.
Uma primeira é de Outubro de 1973, edição quase artesanal, em que se transcrevem documentos do Conselho Mundial da Paz e um abaixo assinado de portugueses – Declaração sobre a vitória do povo vietnamita e a paz no Mundo – que terminava assim
Mas houve um outro. Também verdadeiro. E nosso. Da Prelo! A que se deu o nome de O Manda-chuva. Editado no ano do livro (ou da leitura).

Camões e o pensamento filosófico do seu tempo, com estudos de Egídio Namorado, Luís de Sousa Rebelo, Roger M. Walker e João Mendes. 




Pode dizer-se que cada livro teria uma história para contar, a começar pelo primeiro da colecção que, de tão significativa (e necessariamente longa), noutros lugares tem sido contada e noutros se contará. Para resumir, chegará dizer que dos 6 primeiros volumes 3 foram imediatamente apreendidos pela repressão fascista, com todas as consequências (económicas e não só) que se podem imaginar para uma editora. Desse facto, resultaram "saídas" como as dos "cadernos", nomeadamente os cadernos PEEP.






