... "cinta" para a 3ª edição, de 1975(com "dedicatória amiga" do José Esteves)


Na página de abertura deste último caderno, que fechava uma sub-série de 3, fazia-se um balanço crítico e auto-crítico da iniciativa, e dizia-se da intenção de continuar com uma terceira "década" de cadernos... se tal se justificasse. E ela só se justificaria se uma tal colecção tivesse uma clara participação vinda do "ambiente" e dos futuros leitores na definição dos temas a tratar e uma receptividade e distribuição ligada a discussão e debate relativamente ao que fosse publicado. Não aconteceu assim. Como, nos 20 exemplares publicados, não se encontrou a receptividade de quem poderia aproveitar tais "instrumentos" na sua (e de todos!) luta por um outro amanhã para as crianças(*)...
Não que haja qualquer sentimento de frustração, de não ter "valido a pena". Valeu! Mas... afinal... foi mais um esforço que não teve os resultados por que se lutava. E porque continua a luta !
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(*) - Transcreve-se: «(...) Trata-se do problema das crianças no que se pode chamar a "pequena infância", até à idade pré-escolar e escolar, e os problemas que levanta. Claro que esses problemas são diferentes numa sociedade em que a finalidade é o lucro resultante da actividade em que a finalidade é o lucro resultante da actividade que não procura senão a rentabilidade do capital empregue. E a partir da exploração dos detentores da mercadoria força do trabalho que se começa a formar nessa "pequena infância"... (...)» Ainda não se falava, como hoje, em empreendedorismo!
Pode dizer-se que cada livro teria uma história para contar, a começar pelo primeiro da colecção que, de tão significativa (e necessariamente longa), noutros lugares tem sido contada e noutros se contará. Para resumir, chegará dizer que dos 6 primeiros volumes 3 foram imediatamente apreendidos pela repressão fascista, com todas as consequências (económicas e não só) que se podem imaginar para uma editora. Desse facto, resultaram "saídas" como as dos "cadernos", nomeadamente os cadernos PEEP.
A Biblioteca «Medicina e Laboratório» foram volumes que a Prelo editou compondo uma "série de Monografias sobre Medicina e Laboratório" (como abre o prefácio ao primeiro volume, apresentando a série), todos da autoria do Doutor Luís Ernâni Dias Amado.
Sobre
TUBO DIGESTIVO - Vol. 2 (INTESTINO) - fisiologia, laboratório e interpretação de análises clínicas.






Por isso, há quem considere o teatro a arte das artes, com o encenador a ser o coordenador de todo o trabalho colectivo que o teatro exige. O trabalho do tratamento do texto, o dos actores, o da luz, o do som, o dos coreógrafos, o dos pintores-cenógrafos, o dos músicos, o dos carpinteiros, dos contra-regras, e alguns que já não. Isto digo eu, que de teatro apenas gosto muito, e há muitos anos.
As duas últimas representações ditas teatrais a que assisti agradaram-me imenso. Mas deixaram-me a pensar.
Num caso, porque não estive a assistir a/participar em um espectáculo teatral, estive a assistir ao trabalho visível e espectacular de Maria João Luís, decerto respeitando as instruções do encenador invisível, num discreto espaço cénico apropriado para aquela exibição. Mas… e o texto? Não senti a preocupação de que o texto (e era, ao que me apercebi, muito boa a tradução) chegasse perfeitamente audível ao espectador – a quem se contava a história, ali ao vivo.
Aplaudi calorosamente a Maria João Luís, gostei daquilo a que assisti… mas fiquei a pensar.
Ontem, fui ver, no Meridional teatro, Cabo Verde – contos em viagem. Como é de uso
(*) dizer, em boa hora segui o conselho: “não percam!”. É mesmo de não perder, ou era porque foi a última representação.
Por obra e arte de Carla Galvão (e do excelente Fernando Mota), viajei por Cabo Verde, num regresso sempre desejado (“bai é magoado, bem é doce”). Num espaço cénico que nos colocou, aos que se sentaram naquelas cadeiras, onde se queria que estivéssemos (e onde queríamos estar), com o som ali feito sem truques mas quase com magia, a voz e o corpo de Carla Galvão contaram-nos, e fizeram-nos saborear estórias caboverdeanas, com as palavras de tantos (e tão bons) autores que tão bem conhecemos. Mas… os textos, desses autores, foram subalternizados, misturados, amalgamados. E não num texto novo.
O texto tornou-se pretexto, e não foi elemento essencial do acto teatral. Do espectáculo de uma mulher-só, que aplaudi até me cansar, por muito injusto que dizer isto seja para Fernando Mota.
E esta é outra questão que me faz pensar. Parece que o teatro, estes dois actos teatrais a que fui assistir – em que fui participar –, está a transformar o trabalho colectivo que se apresenta ou representa em exibição individual de um trabalho colectivo que se apaga. Diria um vizinho meu, que tem o hábito de repetir o que outros dizem, sinais dos tempos.
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(*) - bilhete do espectáculo, também comprovativo que sou "anormal" (por ter mais de 65 anos!) pois os "normais" pagavam 10 euros!



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«Rapaz, vamos como dantes,
sirvam-nos estas lições:
É mais que tolo quem dá
ao Mundo satisfações»

As capas e o logotipo eram de Miguel Flávio




Foi a "aventura" dos cadernos PEEP (Política Económica/Economia Política). O 1º saíu em Janeiro de 1970, o 2º em Março e o 3º em Junho. E cada caderno tinha um tema-título. Como se estava na passagem Salazar-Caetano, foram: Sempre com capas e paginação do Manuel Augusto Araújo, é justo que se sublinhe.

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visado pela Comissão de Censura


e houve certas reticências. Assim, as primeiras edições da "nova sociedade" tiveram um logotipo diferente.