segunda-feira, agosto 11, 2008

A propósito...

... "cinta" para a 3ª edição, de 1975
(com "dedicatória amiga" do José Esteves)

A propósito...

... e a lembrança de Francisco Lázaro
(com um "companheira dedicatória" do Romeu Correia)

domingo, agosto 10, 2008

A Prelo Editora - 19

Algumas edições, como já aqui se disse, não se integravam em colecções. Por razões várias.
A deste livro talvez mereça ser contada. Se calhar, como todas. Mas esta foi vivida pelo (a)post(ador).
Sendo colaborador da "economia" do Diário de Lisboa, a direcção do jornal propôs que acompanhasse uma missão do Fundo de Fomento de Exportação ao Brasil, em Abril de 1973.
Eram oito dias, e tudo foi possível. Oito dias, repartidos por Rio de Janeiro e São Paulo. Vividos intensamente. Escrevendo muito, tendo de telefonar uma ou outra notícia, mandando o material mais "pesado" por correio. Nem nets, nem mails, nem "correio azul"...
No regresso, pouca coisa tinha sido publicada, e muita não tinha sequer chegado e não chegaria a chegar (e não por culpa dos CTT...). Além disso, algumas coisas mais "leves" (conversinhas) colocadas no Notícias da Amadora, e que neste sairam, mereceram comentários menosprezadores do género "foi este fulano ao Brasil para vir contar coisinhas destas, de japonesas de perna gorda..." .
Em reacção, quase em desafio, resolvi publicar tudo o que publicado não fora. Em livro. Neste:
As razões foram explicadas num preâmbulo (que terminava «Aqui está o que quero que esteja.»), e tinha mais quatro páginas de anexo que começava assim: «Já com todo o "material" entregue na tipografia, enquanto aguardávamos as provas deste livro, aconteceu o golpe militar, o "putch" chileno. Este acontecimento histórico é daqueles perante os quais as pessoas se definem. (...)». Por isso, sublinhei referências à "Escola Superior de Guerra" do Brasil, conhecida na América Latina pela "Sorbonne brasileira", e ao "plano Alfa" elaborado pelo Pentágono, e com o muito do que se observara e escrevera nesses oito dias mais jus fazia aquele título Atenção ao Brasil!
(a capa é de um jovem brasileiro, TÓPIN, que, então, trabalhava no DL... que será feito dele?)

sábado, agosto 09, 2008

A Prelo Editora - 18

Depois do 25 de Abril, reflectindo o e reflectindo sobre o ambiente social e político, pareceu de, a acompanhar nova ou diferente orientação das colecções existente, uma nova se criasse, a que se deu o nome MAS... AFINAL?!..., em que se procuraria, não dar respostas redutoras às dúvidas que assaltavam um povo em verdadeiro estado de busca, mas uma informação nova e de que até então tinha estado amputado.
Alguns exemplos se puseram na abertura ao leitor do primeiro exemplar:

«(...)
Mas... afinal... era assim a PIDE?!
Mas... afinal... são estes os comunistas?!
Mas... afinal... sempre era guerra e colonial?!
Mas... afinal... como é isto dos partidos?!
O rol poderia ser interminável. Relativamente ao passado, relativamente ao futuro.
(...)»

E, na contracapa de todos os volumes saídos, perguntava-se e respondia-se:

«O que se pretende com esta colecção?
Contribuir para o esclarecimento do povo português de assuntos importantes de todas as épocas de modo a apoiá-lo na elevação do seu nível cultural.
Como?
Editando a baixo preço cadernos de 16 páginas dividdos em séries, abordando temas sociais, políticos, económicos, desportivos, literários, artísticos, técnicos e biografias, entrevistas, etc.»

Começou-se por dois volumes (de 16 páginas) em mimi-série sobre política, com a (discutível... como qualquer outra seria) escolha do tema das liberdades e direitos na União Soviética para abrir, mas tal correspondia a uma das mais frequentes questões que se confrontavam e para que maior tinha sido (e continua a ser!) a manipulação despudorada, a mentira, a desvergonha.
Depois, veio o desporto, e as pequenas e médias empresas, e a religião, e a economia... num tota de 20 volumes.
  • União Soviética - liberdades e direitos
  • Os Sistemas Políticos, os povos e a paz
  • O Desporto - - quando e onde uma necessidade e um direito
  • Pequenas e Médias empresas
  • A Religião - crítica e auto-crítica
  • A Economia - lucros ou satisfação das necessidades (I)
  • A Nação - o que é... e quem é pela nação?
  • A Economia - lucros ou satisfação das necessidades (II)
  • A Doutrina Social da Igreja - esmola para homens a mais?
  • Sobre (e a propósito) da Unicidade Sindical
  • Eleições e Propriedade nos países socialistas
  • Comunistas e Cristãos, face a face e face à crise
  • O Futuro do Mundo - subdesenvolvimento e demografia
  • A Juventude na R.D.A. - seu papel na sociedade socialista avançada
  • O que é o Modo de Produção
  • A Criação Artística e os Judeus na U.R.S.S.
  • O que é o Subdesenvolvimento
  • A Dominação do Homem e a Sexualidade na Condição Feminina
  • O Sexo - amor ou procriação
  • A Criança - homem de (qual?) amanhã

Na página de abertura deste último caderno, que fechava uma sub-série de 3, fazia-se um balanço crítico e auto-crítico da iniciativa, e dizia-se da intenção de continuar com uma terceira "década" de cadernos... se tal se justificasse. E ela só se justificaria se uma tal colecção tivesse uma clara participação vinda do "ambiente" e dos futuros leitores na definição dos temas a tratar e uma receptividade e distribuição ligada a discussão e debate relativamente ao que fosse publicado. Não aconteceu assim. Como, nos 20 exemplares publicados, não se encontrou a receptividade de quem poderia aproveitar tais "instrumentos" na sua (e de todos!) luta por um outro amanhã para as crianças(*)...

Não que haja qualquer sentimento de frustração, de não ter "valido a pena". Valeu! Mas... afinal... foi mais um esforço que não teve os resultados por que se lutava. E porque continua a luta !

______________________________

(*) - Transcreve-se: «(...) Trata-se do problema das crianças no que se pode chamar a "pequena infância", até à idade pré-escolar e escolar, e os problemas que levanta. Claro que esses problemas são diferentes numa sociedade em que a finalidade é o lucro resultante da actividade em que a finalidade é o lucro resultante da actividade que não procura senão a rentabilidade do capital empregue. E a partir da exploração dos detentores da mercadoria força do trabalho que se começa a formar nessa "pequena infância"... (...)» Ainda não se falava, como hoje, em empreendedorismo!

sexta-feira, agosto 08, 2008

A Prelo Editora - 17

A colecção Biblioteca Popular foi das mais perseguidas da editora, e das que mais mudou com o 25 de Abril. Pode dizer-se que cada livro teria uma história para contar, a começar pelo primeiro da colecção que, de tão significativa (e necessariamente longa), noutros lugares tem sido contada e noutros se contará. Para resumir, chegará dizer que dos 6 primeiros volumes 3 foram imediatamente apreendidos pela repressão fascista, com todas as consequências (económicas e não só) que se podem imaginar para uma editora. Desse facto, resultaram "saídas" como as dos "cadernos", nomeadamente os cadernos PEEP.
Depois do 25 de Abril, as edições passaram a ter a intenção de transmitir (in)formação sobre o que até aí estava vedado... ou era apreendido. E também se fizeram novas edições de alguns volumes do início da colecção, alguns com actualizações. Como foi o caso deste trabalho de Blasco Hugo Fernandes, com a sua 4ª edição em 1976 (com capa de Dorindo de Carvalho) e ainda hoje de grande utilidade... e a merecer ser actualizado.

quinta-feira, agosto 07, 2008

A Prelo Editora - 16

A Biblioteca «Medicina e Laboratório» foram volumes que a Prelo editou compondo uma "série de Monografias sobre Medicina e Laboratório" (como abre o prefácio ao primeiro volume, apresentando a série), todos da autoria do Doutor Luís Ernâni Dias Amado.
Sobre

  • RIM - fisiologia, laboratório e interpretação de análises clínicas
  • LÍQUIDOS ORGÂNICOS - metabolismo da água, electrólitos e ácido-base
  • TUBO DIGESTIVO - Vol. 1 (BOCA, ESÓFAGO E ESTÔMAGO) - fisiologia, laboratório e interpretação de análises clínicas
  • TUBO DIGESTIVO - Vol. 2 (INTESTINO) - fisiologia, laboratório e interpretação de análises clínicas.

quarta-feira, agosto 06, 2008

A Prelo Editora - 15

A colecção documentos começou com uma edição sobre O papel do teatro na sociedade contemporânea, já aqui referida.
Depois, tornou-se uma colecção com alguma importância, em que se procurou editar documentos e intervenções de significado político nacional e mundial.

Em determinada altura, a colecção acolheu sugestões de Fernando Blanqui Teixeira, sobre livros que lhe parecia útil serem publicados, como sobre problemas filosóficos e ideológicos.
Depois do 25 de Abril de 1974, destacam-se os orginais do tenente-coronel Luís Banazol que correspondem a interessante perspectiva (por dentro) e documentação sobre o M.F.A.

Cartas de fuzilados

Um post de Fernando Samuel, em cravodeabril.blogspot.com,
obrigou-me a parar com tudo o que intentava fazer e vir aqui, neste blog de livros e parecidos, colocar a capa de José Rodrigues nesta edição da Campo da Letras, de que também se incluem ilustrações no interior. O livro abre, ainda, com um prefácio de António Dias Lourenço. Na página de frontespício, um poema de Bertolt Brecht:
Que tempos são estes,
em que uma conversa sobre árvores
é quase um crime, porque inclui
um silêncio sobre tantos malefícios...

terça-feira, agosto 05, 2008

A Prelo Editora - 14

Entre as áreas que nos parecia que deveriam merecer uma atenção editorial estavam as do desporto e do ar livre.
Mas não do desporto-espectáculo-negócio, em que se estava em trânsito acelerado, mas do desporto como fenómeno social e, para isso, se convidou o Prof. José Esteves para que desse uma ajuda à Prelo. Que não se fez rogado, bem pelo contrário. Que agradado se mostrou.
A colecção chamou-se História e Sociologia do Desporto, e o primeiro título foi um original do José Esteves, O desporto e as estruturas sociais, que se tornou um clássico e foi tendo sucessivas edições.
Depois, publicou-se O boxe - negação do desporto, também de autor português, Prof. Fernando Ferreira, e um terceiro volume, tradução de um original de MaccIntosh, O desporto na sociedade, e muitos outros ficaram por publicar, e estão ali a espreitar, numa pequena estante pessoal dedicada à matéria. No entanto, já depois de Abril, ainda se publicou Os comunistas e o desporto, da autoria de P. Laurent, R. Barran e J.-J Faure.

A acompanhar esta colecção, mas com vida própria, a Prelo editou dois volumes, em colecção autónoma - Ar Livre -, Campismo - Caravanismo, da autoria de A. Almeida Henriques e A Escola de Vela, da autoria do Prof. Jorge Crespo.

segunda-feira, agosto 04, 2008

O teatro no con(tra)texto

O teatro no con(tra)texto
(ensaiozinho)


No teatro, há três componentes:
  • O texto
  • A sua interpretação
  • - pela voz dos intérpretes
  • - pela expressão corporal dos intérpretes
  • O “ambiente” criado pela cenografia (o espaço – também onde e como integrar o público na inter-acção –, a iluminação, o som)

Por isso, há quem considere o teatro a arte das artes, com o encenador a ser o coordenador de todo o trabalho colectivo que o teatro exige. O trabalho do tratamento do texto, o dos actores, o da luz, o do som, o dos coreógrafos, o dos pintores-cenógrafos, o dos músicos, o dos carpinteiros, dos contra-regras, e alguns que já não. Isto digo eu, que de teatro apenas gosto muito, e há muitos anos.
As duas últimas representações ditas teatrais a que assisti agradaram-me imenso. Mas deixaram-me a pensar.
Num caso, porque não estive a assistir a/participar em um espectáculo teatral, estive a assistir ao trabalho visível e espectacular de Maria João Luís, decerto respeitando as instruções do encenador invisível, num discreto espaço cénico apropriado para aquela exibição. Mas… e o texto? Não senti a preocupação de que o texto (e era, ao que me apercebi, muito boa a tradução) chegasse perfeitamente audível ao espectador – a quem se contava a história, ali ao vivo.
Aplaudi calorosamente a Maria João Luís, gostei daquilo a que assisti… mas fiquei a pensar.

Ontem, fui ver, no Meridional teatro, Cabo Verde – contos em viagem. Como é de uso (*) dizer, em boa hora segui o conselho: “não percam!”. É mesmo de não perder, ou era porque foi a última representação.
Por obra e arte de Carla Galvão (e do excelente Fernando Mota), viajei por Cabo Verde, num regresso sempre desejado (“bai é magoado, bem é doce”). Num espaço cénico que nos colocou, aos que se sentaram naquelas cadeiras, onde se queria que estivéssemos (e onde queríamos estar), com o som ali feito sem truques mas quase com magia, a voz e o corpo de Carla Galvão contaram-nos, e fizeram-nos saborear estórias caboverdeanas, com as palavras de tantos (e tão bons) autores que tão bem conhecemos. Mas… os textos, desses autores, foram subalternizados, misturados, amalgamados. E não num texto novo.
O texto tornou-se pretexto, e não foi elemento essencial do acto teatral. Do espectáculo de uma mulher-só, que aplaudi até me cansar, por muito injusto que dizer isto seja para Fernando Mota.
E esta é outra questão que me faz pensar. Parece que o teatro, estes dois actos teatrais a que fui assistir – em que fui participar –, está a transformar o trabalho colectivo que se apresenta ou representa em exibição individual de um trabalho colectivo que se apaga. Diria um vizinho meu, que tem o hábito de repetir o que outros dizem, sinais dos tempos.

____________________________________

(*) - bilhete do espectáculo, também comprovativo que sou "anormal" (por ter mais de 65 anos!) pois os "normais" pagavam 10 euros!

domingo, agosto 03, 2008

A Prelo Editora - 13

Hoje, tenho de meter este post!
Porquê? Entre outras razões (se razões são), porque já cá devia estar, ligado Biblioteca de Economia, de que o livrinho é um número extra, como I (em romano), porque se me atravessou no caminho quando procuro (desesperadamente...) um exemplar de O manda-chuva, outra edição que tem uma história para contar, porque...
A história de o (quase)diário de uma desvalorização,

desta edição de Novembro de 1967, pode começar a ser contada transcrevendo o início do "antelóquio" que o abre:

«No jornal da manhã de 19. Numa manhã de domingo jornal-lido-na-cama. A libra desvalorizou. Não foi nada que nos obrigasse a saltar para o frio. Mas era uma notícia importante! E durante quatro dias, entre 19 e 23 (hoje), lemos, recortámos, anotámos o que nos ia passando pelas mãos. Primeiro, por necessidade profissional; depois, transcendendo-a; agora, fazendo nascer (e acarinhando) a ideia de comunicar aos outros o resultado em mim de umas horas dedicadas a um assunto. A um assunto que todos toca, interessados ou não. Aos grandes especuladores de Bolsas a sério, aos pequenos especuladores de meses-turismo para aguentar penúria-de-todo-o-ano. (...)»

Um pormenor então não contado: antes de arrancar com o trabalho, telefonei para responsáveis da Seara Nova, de cuja redacção fazia parte, avisando que iria entregar um original sobre a desvalorização da libra, assunto muito importante, para sair no número de Dezembro. Resposta: impossível pois como eu sabia, para que o número estivesse no correio por forma a chegar a casa dos assinantes nos primeiros dias do mês todos os originais e paginação tinham de estar na tipografia até 20 do mês anterior! Definitivo... tivesse a libra desvalorizado mais cedo.
Fiquei "em pólvora". Atirei-me ao trabalho. Comprei um monte de jornais ingleses, franceses, espanhois, recortei, anotei ao lado, montei tudo numa sala de jantar transformada em atelier. Com a extraordinária ajuda de um amigo da Associação dos Estudantes de IST, responsável pela secção de folhas (o Carrilho), fizemos as montagens, fotografámos, levámos para a tipografia (a Novotipo, de um ex-companheiro de Caxias, das raras com off-set).
Ainda em Novembro, antes de sair a revista Seara Nova de Dezembro, a Prelo lançava o liv(inh)o (de 80 páginas) que deve ter sido o primeiro a ser publicado, em todo o mundo, sobre a desvalorização da libra.
Depois do "antelóquio", o sumário era:

  • o significado da desvalorização
  • antecedentes próximos
  • a decisão e os objectivos
  • respostas internas
  • reacções internacionais
  • a posição da Espanha
  • a posição de Portugal
  • os Estados-Unidos
  • "mercado comum"
  • a corrida ao ouro e o sistema (monetário-internacional)



sábado, agosto 02, 2008

A Prelo Editora - 12

De vez em quando, havia edições chamemos-lhe avulsas. Edições em que dá gosto pegar e manusear. Saborear.
Como esta, em que juntam crónicas de Urbano Tavares Rodrigues e fotografias de Eduardo Gageiro. Com textos e fotos no "miolo" que estão bem condizentes com o "aperitivo" da capa...
Ou esta, sobre a parábola de Curvo Semedo, a que até se atribuiu o nome de uma mini-colecção - barcarola - de que Tóssan fez esta bela capa e "encheu" o livrinho com mais 10 desenhos dos seus...

.

.

.

(...)
«Rapaz, vamos como dantes,
sirvam-nos estas lições:
É mais que tolo quem dá
ao Mundo satisfações»


A Prelo editora - 11

Uma colecção que identificou a Prelo, na sua intervenção socio-política, foi a cadernos de hoje.
Claramente criada para tratar de temas da história e da sociedade portuguesa, o seu 1º volume, de Borges Coelho, Raízes da expansão portuguesa, como que se tornou o seu "emblema". Pelo que é como livro, pelo momento em que foi editado, nos primeiros anos de uma guerra colonial resultado de um esforço sem sentido de fazer parar a História. E de a reescrever.
Seguiram-se, a Raízes da expansão portuguesa,
  • Leituras históricas - as origens da República, de Flausino Torres
  • Ensino: sector em crise, de Rogério Fernandes
  • História contemporânea do povo português - I, de Flausino Torres
  • Revelando a velha África, de Basil Davidson
  • O estatuto da imprensa, de vários
  • A legislação eleitoral e sua crítica, de José Magalhães Godinho
  • A mulher na sociedade contemporânea, colóquios na Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa
  • História contemporânea do povo português - II, de Flausino Torres
  • Capitalismo e emigração em Portugal, de Carlos Almeida e António Barreto
  • História contemporânea do povo português - III, de Flausino Torres
  • Ordem dos advogados, advocacia, de José Magalhães Godinho

As capas e o logotipo eram de Miguel Flávio

sexta-feira, agosto 01, 2008

A Prelo Editora - 10

Na esteira da Biblioteca de Economia e dos PEEP, foram aparecendo outras edições, como a de uns cadernos dedicados a um tema, a que se deu o nome PEEP-estudos.

Aqui, "à mão", estão 7 desses "estudos", sublinhando a importância que neles se reflecte pelos temas da situação das mulheres e da gestão de empresas.





Ó Mia!

De expectante leitura a leitura frustrante (e um pouco... expectorante).
Paciência. Melhores livros virão!

Guardei duas notas:
  • na página 110 - "Desses, como ele dizia, a quem o cu cresce mais que a cadeira."
  • na página 154, duas falas de Munda - "O tempo é o lenço de toda a lágrima" (...) "O senhor não conhece o tempo, não sabe como o tempo é o único remédio"

1º de Maio (em 1962 e em 1974)

O poeta merecia viver!
Daniel Filipe merecia ter vivido o 25 de Abril! Como cantaria o 1º de Maio de 1974?, se assim cantou o 1º de Maio de 1962 (final da 3ª canção):

Vêm com o rosto de todos os dias
o olhar de todos os dias
as mãos e os pés de todos os dias
cansados de preencher impressos
moldar metais
afeiçoar madeiras
rodar motores e válvulas
sujos de óleo e poeira
deslumbrados de sol
operários . empregados de escritório . vendedores de porta a porta
dir-se-ia que cantam
.
De súbito . a cidade parece banhada de alegria
estamos juntos meu Amor
possessos da mesma ira justiceira
Damos as mãos como dois jovens namorados
e sorrimos felizes
à doce primavera acontecida
no magoado coração da pátria

Vêm de toda a parte sem idade
Redescobrem palavras esquecidas
e no silêncio cúmplice desfraldam
um novo e claro amanhecer do mundo
.
Vêm de mãos vazias . nem flores simbólicas
nem ramos de oliveira
Entre os seus dedos apenas desabrocha
o obscuro desejo de apertar outras mãos
como as suas . nervosas . sujas . proletárias
.
E eu limpo . eu meticulosamente barbeado
eu de papéis em ordem
eu vestido de nylon dralon leacril
eu rigorosamente asséptico
eu mergulhado até às virilhas na placidez burguesa
vou convosco cantando companheiros
irmãos em pátria
em sonho em sofrimento
.
Ah riso aberto . coração do povo
cálice . flor . inesperado aroma
doce palavra antiga
liberdade
.
.
Doce palavra antiga, de todos os poetas, também de Éluard
(… Et par le pouvoir d’un mot
je recommence ma vie
je suis né pour te connaître
pour te nommer
liberté).
Ah! os poetas…
por isso eles são o inimigo. Quando têm as mãos nervosas . sujas . proletárias.

quinta-feira, julho 31, 2008

A Prelo Editora - 9

A partir da Biblioteca de Economia, e das suas características iniciais, criou-se um embrião de colaboradores que possibilitaram a tentativa de... fazer uma revista. Que não seria uma revista porque, se fosse, teria de ir à censura prévia e, como livro-caderno, mesmo que saísse com regularidade, "apenas" seria apreendido. E até se poderiam arranjar assinantes para quem enviar os cadernos,
Foi a "aventura" dos cadernos PEEP (Política Económica/Economia Política). O 1º saíu em Janeiro de 1970, o 2º em Março e o 3º em Junho. E cada caderno tinha um tema-título. Como se estava na passagem Salazar-Caetano, foram:
  • 1. fim de década começo de quê?
  • 2. começo de quê viragem para onde?
  • 3. viragem para onde ao serviço de quem?
Foram apreendidos!
O 4º. que saíu em Julho, era dedicado à educação (na perspectiva da economia e do desensenvolvimento). Apreendido foi.
Mas... além de outras peripécias, a Prelo foi intimada a enviar à censura précia os cadernos a partir de nº 5... pois tratava-se de publicação periódica!
Com grande esforço, tendo de fazer material que compensasse os "generosos" cortes da censura, ainda se publicaram:
  • 5. sobre a crescente intervenção do Estado (Novembro de 70)
  • 6. as sociedades multinacionais contra o Estado (Março de 71)
  • 7. Plano (Junho de 71)
  • 8. Função social da maternidade. Moeda europeia (Julho de 71)
  • 9. Duração do trabalho (Novembro de 71)
  • 10. A (nova) política industrial. Alta de preços e custo de viver (Dezembro de 71/Janeiro de 72)
  • 11. Segurança europeia (Abril de 72)
  • 12. A imprensa em questão (Setembro de 72)
  • 13. As férias dos emigrantes. O aumento das rendas de casa (Dezembro de 72)
  • 14/15. O trabalho e a mais-valia (Fevereiro de 74, este número já proíbido por a Prelo não dispor de... alvará para publicações periódicas).

Sempre com capas e paginação do Manuel Augusto Araújo, é justo que se sublinhe.

.

.

.

visado pela Comissão de Censura



A Prelo Editora - 8

Na Prelo, comecei por dedicar particular atenção, no plano editorial, à economia.
Abalancei-me a criar uma colecção Biblioteca de Economia. Comecei por uma colectânea de textos, A Empresa - célula-base da actividade económica, em que procurei organizar textos em que se divulgasse a discussão então em curso nos países socialistas e em que se colocassem alguns problemas relacionados com a a actividade ao nível da empresa.

Não sendo livro de minha autoria, considero-o - e vivi-o como - o meu primeiro livro. Depois foram-se publicando livros na colecção e sublinho quatro pontos:

  • a sua heterogeneidade, particularmente nos inícios da colecção, pois não se podia definir uma linha editorial como seria desejável;
  • o acolhimento a autores portugueses, que sempre foi estimulada e contribuiu para essa heterogeneidade, até ideológica;
  • a grande atenção à agricultura, sobretudo por influência do Blasco Fernandes;
  • a intenção de publicar textos de ideologia e prática socialista, particularmente depois de 1974, embora antes se tivesse tentado, também nesta colecção, com algumas inevitáveis apreensões.

A Prelo Editora - 7

Uma das primeiras colecções de Prelo foi a diafragma, de fotografia e filme.


terça-feira, julho 29, 2008

A Prelo Editora - 6

Foi no final de 1965, ou início de 1966 ?, que entrei - com o Fráguas Lucas - para a Prelo. Já vinha colaborando com o Viriato Camilo (desde Caxias), como podia e sabia, e entre as "ajudas" tão necessárias não foi das menores ter sido intermediário para o Fráguas Lucas. Mas quando se decidiu formalizar o "apoio" com a entrada para a sociedade por quotas não foi tudo fácil - alguma coisa o é na vida?...- e houve certas reticências. Assim, as primeiras edições da "nova sociedade" tiveram um logotipo diferente.
Mas tenho a enorme satisfação de que uma delas tenha sido a do livro que assinalava os 60 anos de Fernando Lopes Graça. Com um cuidado tratamento gráfico de Pilo da Silva (o Viriato esmerou-se nesta para ele tão significativa edição...) e é um livro (dos muitos) que manuseio com especial carinho.
O que acho, hoje!, estranho é que, em Dezembro de 1966, o Graça tivesse 60 anos (eu tinha 30!), e essa idade fosse considerada "provecta" e merecedora de comemoração! Mas ainda bem que sim, que se fez o livro e que ele viveu muito mais anos, décadas!, até quase aos 90.
Pena é que este livro, com "notas preambulares de João de Freitas Branco Branco e de João Gaspar Simões nunca seja referido - mais um... dos tantos da esquecida Prelo.