(ensaiozinho)
- O texto
- A sua interpretação
- - pela voz dos intérpretes
- - pela expressão corporal dos intérpretes
- O “ambiente” criado pela cenografia (o espaço – também onde e como integrar o público na inter-acção –, a iluminação, o som)
Por isso, há quem considere o teatro a arte das artes, com o encenador a ser o coordenador de todo o trabalho colectivo que o teatro exige. O trabalho do tratamento do texto, o dos actores, o da luz, o do som, o dos coreógrafos, o dos pintores-cenógrafos, o dos músicos, o dos carpinteiros, dos contra-regras, e alguns que já não. Isto digo eu, que de teatro apenas gosto muito, e há muitos anos.
As duas últimas representações ditas teatrais a que assisti agradaram-me imenso. Mas deixaram-me a pensar.
Num caso, porque não estive a assistir a/participar em um espectáculo teatral, estive a assistir ao trabalho visível e espectacular de Maria João Luís, decerto respeitando as instruções do encenador invisível, num discreto espaço cénico apropriado para aquela exibição. Mas… e o texto? Não senti a preocupação de que o texto (e era, ao que me apercebi, muito boa a tradução) chegasse perfeitamente audível ao espectador – a quem se contava a história, ali ao vivo.
Aplaudi calorosamente a Maria João Luís, gostei daquilo a que assisti… mas fiquei a pensar.
Ontem, fui ver, no Meridional teatro, Cabo Verde – contos em viagem. Como é de uso
(*) dizer, em boa hora segui o conselho: “não percam!”. É mesmo de não perder, ou era porque foi a última representação.
Por obra e arte de Carla Galvão (e do excelente Fernando Mota), viajei por Cabo Verde, num regresso sempre desejado (“bai é magoado, bem é doce”). Num espaço cénico que nos colocou, aos que se sentaram naquelas cadeiras, onde se queria que estivéssemos (e onde queríamos estar), com o som ali feito sem truques mas quase com magia, a voz e o corpo de Carla Galvão contaram-nos, e fizeram-nos saborear estórias caboverdeanas, com as palavras de tantos (e tão bons) autores que tão bem conhecemos. Mas… os textos, desses autores, foram subalternizados, misturados, amalgamados. E não num texto novo.
O texto tornou-se pretexto, e não foi elemento essencial do acto teatral. Do espectáculo de uma mulher-só, que aplaudi até me cansar, por muito injusto que dizer isto seja para Fernando Mota.
E esta é outra questão que me faz pensar. Parece que o teatro, estes dois actos teatrais a que fui assistir – em que fui participar –, está a transformar o trabalho colectivo que se apresenta ou representa em exibição individual de um trabalho colectivo que se apaga. Diria um vizinho meu, que tem o hábito de repetir o que outros dizem, sinais dos tempos.
____________________________________
(*) - bilhete do espectáculo, também comprovativo que sou "anormal" (por ter mais de 65 anos!) pois os "normais" pagavam 10 euros!





















As colecções foram dirigidas por Luiz Francisco Rebello, e destaco dois títulos, os cães, de Tone Brulin, actor-encenador e autor belga flamengo, com que se abriu a colecção, um libelo contra o apartheid na África do Sul, apresentado por Rogério Paulo, e Guilherme Tell tem os olhos tristes, uma peça de Alfonso Sastre que muito me impressionou. O “repertório” para a SECTP, que é muito mais largo para além desta lista, é exclusivo de autores portugueses.

Tradução (excelente) de Jaime Brasil e capa de arranjo gráfico de Pilo da Silva sobre capa de Brueghel.

Antes das colecções, o Pantagruel. Uma edição de 1967, que faria o ex-libris de qualquer editora. Um clássico – mas dos clássicos! –, de Rabelais, traduzido por Jorge Reis, com mais de cem ilustrações de Júlio Pomar, com orientação gráfica de Alice Jorge. Para mim, uma pequena maravilha!




Com um "bónus"... para "especialistas":
Reproduzo a página-cortina de entrada:
