Julgo (mas não juro...) que a primeira edição da Prelo foi O menino entre gigantes, de Mário Domingues (com capa do angolano António Domingues), saída da tipografia em Dezembro de 1960.

Julgo (mas não juro...) que a primeira edição da Prelo foi O menino entre gigantes, de Mário Domingues (com capa do angolano António Domingues), saída da tipografia em Dezembro de 1960.

No teatro, área muito cara ao Viriato Camilo, a Prelo lançou-se na edição de duas obras em fascículos, de teatro moderno e de teatro europeu, sob a direcção de Luiz Francisco Rebello e de uma colecção a que se deu o título repertório para um teatro actual, e de uma outra repertório da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, além de um documento, que depois seria o primeiro de uma colecção – o papel do teatro na sociedade contemporânea (comunicações – de Bernardo Santareno, Costa Ferreira, Miguel Franco, Luiz Francisco Rebello, Urbano Tavares Rodrigues, Teatro Moderno de Lisboa, Augusto Sobral – apresentadas no debate realizado na Casa da Imprensa de Lisboa, por ocasião do 4º Dia Mundial do Teatro e respectivas conclusões).
As colecções foram dirigidas por Luiz Francisco Rebello, e destaco dois títulos, os cães, de Tone Brulin, actor-encenador e autor belga flamengo, com que se abriu a colecção, um libelo contra o apartheid na África do Sul, apresentado por Rogério Paulo, e Guilherme Tell tem os olhos tristes, uma peça de Alfonso Sastre que muito me impressionou. O “repertório” para a SECTP, que é muito mais largo para além desta lista, é exclusivo de autores portugueses.

Tradução (excelente) de Jaime Brasil e capa de arranjo gráfico de Pilo da Silva sobre capa de Brueghel.
Os livros, então, raramente traziam o ano (ao menos) da edição. Mas este tem uma referência que me comove. Um verdadeiro ex-libris:
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O livro? Curioso… ajudando a perceber um “momento histórico”… Chegando a enternecer quando fala de bichos, "horrorizando" quando fala de humanos, e entre estes (talvez não para o autor)... os pretos!
Antes das colecções, o Pantagruel. Uma edição de 1967, que faria o ex-libris de qualquer editora. Um clássico – mas dos clássicos! –, de Rabelais, traduzido por Jorge Reis, com mais de cem ilustrações de Júlio Pomar, com orientação gráfica de Alice Jorge. Para mim, uma pequena maravilha!
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Como é evidente, mais nenhum livro merecerá este destaque e, por último, deixo uma mensagem particular para C.C. dizendo-lhe que não desisti de encontrar um outro exemplar do “nosso” Pantagruel.
ADENDA:
Entretanto, nestas buscas apareceu-nos a foto referida no textos, mas em que não está Manuel Brito como eu julgava lembrar-me...
Publica-se, como adenda, também para ficar como saudosa e amiga recordação de José Fráguas Lucas 

Reproduzo a página-cortina de entrada:Nos anos em que Marx publicara O Manifesto (com Engels) e aprofundava os seus estudos e trabalhos sobre economia política (com a Contribuição para a Crítica da Economia Política e os manuscritos de O Capital, que começaria a publicar em 1867, um ano mais tarde desta edição)!
Que achado! Vou deixar um post no anónimosecxxi.blogspot.com
Comecei a andar com ele para todo o lado, naquela osmose livro-leitor que tantas vezes nos faz conviver com gente e situações, nem sempre passando pela leitura.
“o homem e as suas circunstâncias”, que tem uma enorme carga ideológica. Decerto Ortega y Gasset merece a honra da “paternidade” da frase, devendo, por isso, reproduzi-la como ele a disse - "o homem é o homem e as suas circunstâncias (as suas circunstâncias, ou seja aquelas que condicionam a sua existência e o seu agir).
as suas circunstâncias”.
poucos, veio aceitando os humanos depois de ter, não facilmente..., aceite estes que se julgam seus donos. Aparece. Mostra-se. Deixa até que alguns dos visitantes (desde que não crianças, e elesaberá porquê) se aproximem e lhe façam festas. O que, nos primeiros meses e anos, era impossível. Dir-se-á que é a idade. E é. Mas não é só.
defesa-fuga ou ataque perante um meio ancestralmente hostil. Um ruído, um gesto brusco, um pé que se aproximava, eram riscos certos. Que passaram a ser potenciais. Que passaram a ser dúvida. Que deixaram de ser ameaça ou desconfiança. A sua existência foi sendo condicionada diferentemente e os seus agires foram sendo diferentes.
permanente exercício e treino como se tivesse jogos olímpicos à porta. Mas é uma fera amansada. Cheia de ternura e de pequenos gestos de convivência.
le impõe como pequenas rotinas (e, por vezes, inesperads exigências).
reflexão. À Ortega y Gasset. Ora toma!
“Elizabeth Feijão era uma gata siamesa vesga, de olhos azuis. Nascera
na casa de uma japonesa chamada Mitsuko, que a habituara a comer sardinha crua. Quando foi para minha casa aprendeu a comer ovos, carne, feijão com arroz, mouros e cristianos, à maneira cubana. À medida que envelhecia, Elizabeth, além de de tornar-se rabujenta, passara a exigir, como vitualhas, apenas sardinhas frescas, recusando-se a comê-las se antes tivessem sido congeladas e protestando com insistência e veemênacia se
fossem colocadas no seu prato.
aparente, só cessando quando eu lhe pegava ao colo e lhe dava beijos e falava com ela. Passara a detestar a solidão, um dos grandes prazeres dos gatos jovens e saudáveis. Quando eu chegava a casa, do escritório, ela me seguia pela casa, da maneira indigna dos cães, implorando carinho.” 
Todos os livros têm páginas. Este, A SALA MAGENTA, de Mário de Carvalho, tem 175.
Não há a intenção de transformar este "blog" numa espécie de obituário. Mas a notícia da morte de Tchinguiz Aitmantov teria de vir para aqui!
Apetecia ficar aqui a falar dos livros de Tchinguiz Aitmantov. Da realidade que ele, com tanta qualidade literária, nos conta. E que fica contada. Indelével.
entre outras - de 1971, nos Cadernos para o diálogo, Porto).
Terá passado o período de nojo... talvez demasiado curto para o sentimento de perda.