segunda-feira, julho 21, 2008

De 1958 (tanta coisa há 50 anos...)

Para esta "exposição" de capas de livros que a "arrumação" (?!) a que estou a proceder me vai suscitando, está a formar-se "bicha".
Hoje, e cá por coisas..., vai este, edição de (e "cá por casa" desde) 1958: Com um "bónus"... para "especialistas":


















(...)
(pág. 347)

domingo, julho 20, 2008

Uma verdadeira raridade (ou preciosidade bibliográfica?)

Nas "arrumações":Reproduzo a página-cortina de entrada:
PRIMEIRAS NOÇÕES
DE
ECONOMIA POLITICA OU SOCIAL

CONTENDO
O RESUMO DOS ELEMENTOS DE ECONOMIA POLITICA
E
O VOCABULARIO DA LINGUAGEM ECONOMICA
OBRA ESCRIPTA EM FRANCEZ POR

M. JOSÉ GARNIER
Professor da Escola Imperial de pontes e calçadas e da Escola
superior do commercio de Paris
E TRADUZIDA POR
HENRIQUE MIDORI
Bacharel em Direito, Professor de Oratoria, Poetica e Lit-
teratura no Lyceu Nacional de Lisboa, e encarregado
da Cadeira de Economia Política, Direito Com-
mercial e Administrativo da Escola do
Commercio da mesma Cidade

Nos anos em que Marx publicara O Manifesto (com Engels) e aprofundava os seus estudos e trabalhos sobre economia política (com a Contribuição para a Crítica da Economia Política e os manuscritos de O Capital, que começaria a publicar em 1867, um ano mais tarde desta edição)!

Que achado! Vou deixar um post no anónimosecxxi.blogspot.com

sábado, julho 19, 2008

Ele há coisas...

Nas "arrumações" de livros e papeis, sempre por fazer e sempre a serem feitas, encontrei este livro - esta preciosidade, editada em 1943 - cuja (re)descoberta me encantou. Comecei a andar com ele para todo o lado, naquela osmose livro-leitor que tantas vezes nos faz conviver com gente e situações, nem sempre passando pela leitura.
Foi neste tempo que aconteceu em Loures o que teve tanto relevo mediático. E fiquei a pensar nas coincidências...
Abri e reabri o livro de Joaquim Namorado:
«Porém, só no Romancero gitano GARCIA LORCA atinge a completa maturidade e domínio absoluto dos seus meios de expressão, integrando numa poesia de inspiração popular - herança não só do romancero andaluz mas de alguns dos grandes clássicos espanhóis, LOPE DE VEGA além de todos - certas das mais importantes conquistas do modernismo.
(...)
Os ciganos são "o dramatismo, a vida apaixonada", a raça dos homens que sonha e vive livremente:
Por el olivar venian,
bronce y sueño, los gitanos,
esses cuja tradição de valentia e liberdade não consente o facto de Antoñito el Camborio se deixar prender por cinco guardas civis, a caminho de Sevilha onde ia a ver os toiros. sem que se lhe pergunte (...)»
Na verdade, ele há coincidências...

sexta-feira, julho 18, 2008

Como era o fascismo:

Há 1958, há portanto 50 anos (mas parece que tudo aconteceu há 50 anos...), era eu vice-presidente da Associação dos Estudantes do ISCEF. Foi no meu último ano, tínhamos um programa cheio, e alguém tinha proposto, no início do ano lectivo, que se organizasse um "curso do matemáticas gerais Bento de Jesus Caraça para assinalar o 10º aniversário da morte desse professor ainda tão lembrado na Escola. A AEISCEF meteu-se ao trabalho, informou a Direcção da Escola, como era indispensável. Tudo em regra.
O curso foi organizado, alguns professores colaboraram, como o prof. Ribeiro de Albuquerque, havia dignidade na iniciativa, como o exigia a memória do implicitamente homenageado.
Até que, tudo preparado, nas vésperas, o director da Escola, o prof. Gonçalves Pereira nos chamou para informar que, do Ministério, se via com muita simpatia a iniciativa mas que... o curso não poderia ter no título o nome de Bento de Jesus Caraça, ficaria só Curso de Matemáticas Gerais, e quaisquer referências ao professor Caraça estavam proibidas!
(avante! de 17.07.2008)
Não houve curso!

quinta-feira, julho 17, 2008

O gato é o Gato e as suas circunstâncias

Introdução

Nas minhas leituras em áreas diversas, várias vezes encontro a expressão “o homem e as suas circunstâncias”, que tem uma enorme carga ideológica. Decerto Ortega y Gasset merece a honra da “paternidade” da frase, devendo, por isso, reproduzi-la como ele a disse - "o homem é o homem e as suas circunstâncias (as suas circunstâncias, ou seja aquelas que condicionam a sua existência e o seu agir).
Como em algumas dessas leituras vi quem se apressasse a colocar o h em maiúscula e/ou a acrescentar a mulher, lembrei-me há pouco, numa leitura em que estou, que, por extensão, também se poderia dizer que “o gato é o Gato e as suas circunstâncias”.

O cá de casa

Olho para o Mounti, observo-o, e vejo-o ser as suas circunstâncias. Com a sua ascendência de fera, de lince – calda curta e muito larga – caçador emérito, predador, está outro nesta fase da sua vida. Com a idade, socializou-se. Aos poucos, veio aceitando os humanos depois de ter, não facilmente..., aceite estes que se julgam seus donos. Aparece. Mostra-se. Deixa até que alguns dos visitantes (desde que não crianças, e elesaberá porquê) se aproximem e lhe façam festas. O que, nos primeiros meses e anos, era impossível. Dir-se-á que é a idade. E é. Mas não é só.
No início da nossa convivência, a sua postura era, sempre, a de defesa-fuga ou ataque perante um meio ancestralmente hostil. Um ruído, um gesto brusco, um pé que se aproximava, eram riscos certos. Que passaram a ser potenciais. Que passaram a ser dúvida. Que deixaram de ser ameaça ou desconfiança. A sua existência foi sendo condicionada diferentemente e os seus agires foram sendo diferentes.

As circunstâncias do Mounti


Num ambiente em que não há agressividade, em que raro uma voz se eleva – a não ser, por vezes, para um rir mais alto – em que os pés não pisam ou dão pontapés, em que as mãos não batem mas afagam, o nosso Mounti foi sendo o que as circunstâncias foram fazendo dele.
Não deixou de ser uma “fera”, não se desabituou de caçar, o seu corpo está em permanente exercício e treino como se tivesse jogos olímpicos à porta. Mas é uma fera amansada. Cheia de ternura e de pequenos gestos de convivência.
Evidentemente que, nas nossas circunstâncias, naquilo que condiciona a nossa (humana) existência e agir, também entra e muito a existência, a presença, o comportamento do Mounti. Pelo que ele pede, pelo que ele “diz”, pelo que ele impõe como pequenas rotinas (e, por vezes, inesperads exigências).
Acabo de lhe escovar o pêlo como todas as manhãs é ritual, onde e como ele quer, de pôr a torneira em pingo-a-pingo como ele me pede-ordena, tive de lhe mudar o prato da comida porque ele me fez ver que aquela que lá estava já não era suficientemente fresca.
Por isso, o que estou a ler de Rubem Fonseca me trouxe a esta reflexão. À Ortega y Gasset. Ora toma!

A Elizabeth Feijão

“Elizabeth Feijão era uma gata siamesa vesga, de olhos azuis. Nascera na casa de uma japonesa chamada Mitsuko, que a habituara a comer sardinha crua. Quando foi para minha casa aprendeu a comer ovos, carne, feijão com arroz, mouros e cristianos, à maneira cubana. À medida que envelhecia, Elizabeth, além de de tornar-se rabujenta, passara a exigir, como vitualhas, apenas sardinhas frescas, recusando-se a comê-las se antes tivessem sido congeladas e protestando com insistência e veemênacia se fossem colocadas no seu prato.
(…)
Quando jovem Elizabeth raramente se manifestava, o único ruído que produzia regularmente era o das unhas sendo afiadas no carpete ou nos estofos das poltronas. Era preciso que lhe pisassem o rabo, ou coisa pior, para que emitisse uma pequena miadela. Mas agora dava lancinantes gemidos sem motivo aparente, só cessando quando eu lhe pegava ao colo e lhe dava beijos e falava com ela. Passara a detestar a solidão, um dos grandes prazeres dos gatos jovens e saudáveis. Quando eu chegava a casa, do escritório, ela me seguia pela casa, da maneira indigna dos cães, implorando carinho.”

(pág. 39)

A lembrar Carlos Oliveira

... assim me sinto às vezes...

segunda-feira, julho 14, 2008

Uma sala magenta e uma pistola na capa

Todos os livros têm páginas. Este, A SALA MAGENTA, de Mário de Carvalho, tem 175.
Sem que me entusiasme, gosto da escrita de Mário de Carvalho, e do que conta. Posso não gostar tanto dos personagens, mas que se há-de fazer? Começaram por ser do autor, e ele assim lhes deu vida.
Se todos os livros têm páginas, e este tem 175, deste ficaram-me duas com trechos em registo:
.
1. a descrição de como “À desolação de saber Maria Alfreda abandonada sob a rígida ordenação de montículos, acrescia o desconforto da promiscuidade: todos tão perto, tão chegados, tão apertados, corpo contra corpo. Quem seria aquela gente que enfileirava agora, quase ombro com ombro, com Maria Alfreda e que trouxera para aquele recinto as passadas, os rumores, o cansaço desatento das suas famílias, dos seus conhecimentos? Sempre tão discreta, a reclamar espaço, a defender-se das multidões e dos grupos, aí estava agora Maria Alfreda, alinhada a jeito, a compor o enquadramento, a partilhar o repouso, na indistinção duma formatura.”
2.- e, antes (embora na página a seguir), “Que queria Gustavo de Maria Alfreda? Que ela, enfim, parasse, que o escolhesse de vez, contra um passado preenchido por outras presenças, que supunha todas cativantes e perturbadoras, e também contra um presente desassossegado por interrupções, instabilidade, sinais de alerta e de perigo.”

quinta-feira, julho 03, 2008

A ler A SALA MAGENTA...

... a ironia e, logo-ao-pé, o cinismo como válvulas de escape para o personagem (só para ele?...). De escape à vida que não foi como-deveria-ter-sido, ou como-mereciam-que-tivesse-sido, que outros (com a sua ajuda) a-tivessem-feito.

sexta-feira, junho 27, 2008

Tchinguiz Aitmantov

Não há a intenção de transformar este "blog" numa espécie de obituário. Mas a notícia da morte de Tchinguiz Aitmantov teria de vir para aqui!
A morte, aos 80 anos, do autor de Djamília - que, com Serioja, de Vera Panova, foram dois dos livros que melhor me acompanharam na prisão -, fez-me lembrar tanta coisa...

Só li a notícia no último Expresso, tarde e más horas, e veio alterar todos os meus programas de curto prazo. In Memoriam, José Cutileiro dedica a sua secção a Tchinguiz Aitmantov e faz a consabida referência ao facto de Aragon ter considerado Djamília "a mais bela história de amor" . Honra lhe seja. Que, depois, desmereceu em quatro colunas de mensagem ideológica execrável. Como parece ser obrigação: quando morre um comunista, de que se tem de dizer coisas positivas, por a sua qualidade - humana, profissional, literária, artística, o que for - ser incontroversa e incalável, há que desancar, de maneiras várias e com mentiras ditas como se fossem verdades históricas absolutas, o comunismo, a União Soviética, o Partido Comunista, qualquer que ele seja... desde que seja comunista (*).
Apetecia ficar aqui a falar dos livros de Tchinguiz Aitmantov. Da realidade que ele, com tanta qualidade literária, nos conta. E que fica contada. Indelével.


(*) - É a luta de classes. estúpido! Ainda não percebeste? Como é que te admiras sempre?!

quinta-feira, abril 17, 2008

Morreu o autor de "Discurso sobre o colonialismo"

Morreu Aimé Césaire, fundador do Movimento Negritude (a que se associa, também, o nome de L. Senghor) e autor do "Discurso sobre o colonialismo" de grande importância na luta (ideológica) contra o racismo e o colonialismo (1ª edição em Paris, de 1956, edicão portuguesa - entre outras - de 1971, nos Cadernos para o diálogo, Porto).



Recentemente, no avante!, Odete Santos, num artigo sobre Igualdade, paridade, quotas, começava por uma transcrição de uma intervenção deste poeta e político da Martinica, neste dia da sua morte, aos 94 anos, que deixamos como uma modesta homenagem (e agradecimento!):



"Há palavras de uma tal densidade que não suportam ser menorizadas pela vizinhança de um epíteto qualquer. A palavra igualdade é uma delas. Não há igualdade adaptada, não há igualdade global. A igualdade ou existe ou não existe."
(Excerto de uma intervenção de Aimé Césaire, deputado do Partido Comunista Francês, produzida em 1982 na Assembleia Nacional Francesa a propósito do Estatuto dos Departamentos Ultramarinos).

segunda-feira, abril 14, 2008

De regresso...

Terá passado o período de nojo... talvez demasiado curto para o sentimento de perda.
Entrei numa livraria em Ourém. A Letra. Simpática.
Enquanto conversava com quem a mantém, sobre as dificuldades e as angústias de ser livreiro, ia vendo capas e folheando "novidades". Como gostava tanto de fazer na Som da Tinta.
De repente, vejo uma edição da Bertrand que logo me prendeu os olhos, a atenção, e logo agarrei o livro porque o queria meu, porque o queria levar comigo. Um livro do Aquilino, Um escritor confessa-se, com fotografia do autor, do escritor que se confessa. De quem tanto gosto, e com quem tenho ainda umas contas a ajustar, aqui neste blog, por causa daquela viagem no cavalo de pau com Sancho Pança.
O entusiasmo logo esmoreceu quando, nessa mesma capa, li: prefácio de Mário Soares! Fiquei parado, livro na mão. Quase mecanicamente, folheei aquilo que tinha nas mãos. Saltei as 2 ou 3 páginas do dito prefácio, em que Mário Soares começa, como seria inevitável, a falar de si e da sua relação com Aquilino, onde e como o encontrou, a contar-se. Saltei linhas e essas poucas páginas. Como quem foge. E cai numa longa nota preambular (que nem mereceu a "honra" de estar na capa) de José Gomes Ferreira, de anterior edição, creio que de 1974. (se calhar, ainda ficava pior se tivesse visto o preamulador de parelha com o prefaciador).
Tudo foi demais! Sai da livraria. Zangado. Com o mundo. Com o estado do mundo. Deste mundo prostituto. Com os prostitudos deste mundo. À Ruben Fonseca, e sem memória dos charutos porque nunca fumei.
Terei de lá voltar. Serenados os ânimos... Porque temos de recomeçar a relacionar-me com livrarias e livros. Tenho de fazer umas "pazes". Mas assim é difícil!

quinta-feira, março 06, 2008

Ponto final... parágrafo!

No dia 29 de Fevereiro de 2008, acabou a empresa Som da Tinta , livraria e editora, limitada. Isto é, os sócios, em assembleia geral, puseram fim, formal, ao que já tinham decidido dissolver, liquidar, extinguir. Como as normas determinam, embora ainda haja formalidades por cumprir, como fazer a acta, fazer assinar a acta, como registar, declarar, (a)pagar em suma...
Aqui, iremos - talvez... - contar o que foi esta bela aventura e dizer alguns porquês.
Por agora, fica a informação.
E a afirmação, também, da intenção de continuar. Aqui. Retirando do cabeçado do blog "uma livraria, uma editora" e mantendo "um espaço cultural, um blog".
É assim a vida. Que continua. Como é de uso dizer. Mas difícil de fazer. Com a certeza, sempre renovada, de que sozinho ninguém é capaz. Que com poucos - mesmo muito bons - é quase impossível.

quinta-feira, outubro 04, 2007

No cavalo de pau com Sancho Pança - 59

Feita a paragem, aproveito a ainda embalagem, e passo já à continuidade do trecho:
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O tonus da nossa época, ou antes a espécie de ondulação psíquica, que se toma do panorama social, vem-lhe mesmo daí. Já a palavra tinha alguma coisa de impostura léxica. Com efeito, este vocábulo foi enxertado na raíz de mistérium, o mesmo é que arcano. Mistificar, na vera acepção, seria pois enganar mercê de processos escuros, pela calada, abusar da boa fé do próximo por artes de berliques e berloques. Quando os oráculos da antiga Roma recolhiam aos santuários e voltavam a dizer que os deuses lhes haviam comunicado tal ou tal desígnio, aqueles que por interesse ou auto-sugestão se não houvessem identificado com a pantominice eram vítimas de uma autêntica mistificação segundo a lei e a forma.
Mistificar tornou-se uma ciência, e lá temos os efeitos em palácio e noutros lugares. Por isso, D. Quixote é a sagrada escritura da rectidão e da pura verdade. E que mais não fosse, pelo inciso contraste de tais factos, uma vez erguida a máscara da pobre res humana, se torna trágica e constrangedor esta farsa larvada de irrisão e dor.
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E teríamos chegado à última paragem antes daquelas já transcritas oportunamente noutro lugar, sobre Portugal, a Espanha, a Ibéria. Aqui as retomaremos para terminar viagem. Longa, sim, mas também saborosa e a pedir que seja destacada e de outro modo tratada.

No cavalo de pau com Sancho Pança - 58

Se o trecho anterior poderia parecer demasiado datado, e por isso algo ultrapassado, este que segue, páginas 325/326, estará também datado mas parece que datado de agora:
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Hoje, a grande ciência está nos modos de aplicar a mentira. Depois que o homem aprendeu a exercer faculdades do livre exame e a determinar-se perante os fenómenos da natureza, bem decerto que começou a secretar, para isso que Julian Huxley chama o oceano sideral das ideias, intelligentia, ou o seu contributo psiquíco. Cada alma é como uma pequenina fonte que se vai lançando para o córrego, este para o rio, o rio para o mar. Ali se opera a concentração espiritual. Evidente se torna pois que alguns homens são Ebros e Niágaras, outros simples lágimas à superfície da terra. É nesse oceano que flutua toda a sorte de ideias, de opiniões audaciosas, de sistemas exaltados, desde a sabedoria milenária, cujos autores desapareceram há muitos anos ou mesmo há muitos séculos, ao saber crepitantemente actual, com as especulações dos poetas e dos artistas, em suma, a floração do espírito através das idades. O nosso cérebro sobrenada nesse plágio imaterial. Quem quer vai aí buscar o plâncton que lhe permite corporizar os seus conceitos originais, ou o modo de enriquecer a natureza em conhecimento, vontade moral, fé generatriz e até em exaltação e amor.
Deverá acrescentar-se - por honra da firma humana - que a história fazem-na os escrivães da puridade, os apaniguados dos poderosos, as gazetas afectas ou coactas, a literatura regida ou condicionada, e não nasce feita. Em tal grave operação mistificar tornou-se prática universal.
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Por vários motivos é de fazer aqui uma paragem. Por exemlo, por dimensão do texto que os posts consentem como não exagerado (e alguns já deixei...), porque este último parágrafo é dos que pede "páre, olhe... e pense". Tentarei voltar depressa...

domingo, setembro 30, 2007

No cavalo de pau com Sancho Pança - 57

E tínhamo-nos despedido, na "paragem" 56, dizendo até já!... Tanto tempo passou, até com a ida de Mestre Aquilino para o Panteão, aqui referida de passagem.
O tempo estã difícil, as solicitações são muitas, Mas queremos levar a jornada até ao fim. Não com sacrifício, com a alegria de cumprir um objectivo e o prazer de ler e reler e dar a ler um livro que bem o merece. e tão esquecido...

Pois vamos até à página 325, onde vamos encontrar o bom (será?) do Sancho:

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Sancho não será pois bom, nem mau, apenas o homem no seu posto. O que são os camponeses, obrigados à força de ardis a defender-se do rico que os explora, do poderoso que lhes bate, do Estado que os carda, ora carneiros, lobos, milhafres sabe-o quem lida com eles. Tudo afinal é a vida, a condicionação do homem, género Sancho, dentro do restante mundo, mas não a bondade intrínseca que Unamuno supôs no escudeiro manchego. Bondade, entanto que postiço, é a de S. Martinho, que repartia a capa com o pedinte; a de Lutero, que, para não quebrar o sono do bichano adormecido, uma vez cortou à tesoura a parte da garnacha em que ele se aninhava; a de S. João de Deus, que pegava nos enfermos às costas e os conduzia ao hospital; a do pobre dos caminhos que reparte o pão com outro mais faminto; em suma, é uma virtude de santos e porventura de tolos. O nosso semelhante, ingrato, pretencioso e troca-tintas, merece tais sacrifícios?

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Estamos nas páginas finais. Esta imagem do camponês, escusado seria dizê-lo, é a de um tempo em que a agricultura, por aqui, era uma actividade produtiva, e em que não havia televisão e outras formas de aproximar os mundos sem que os mundos tenham deixado de ser vários e díspares.

E esperamos não demorar muito tempo a aqui regressar. Mas alguém, além deste encantado escriba/ copista daria pela falta? Daria ele por não cumprir um propósito e já muito seria.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Aquilino

Hoje, não podia deixar de referir a homenagem nacional a Mestre Aquilino, que nos tem acompanhado, há longos meses, neste blog.
Mais diremos quando possível mas, hoje, apenas fica esta palavra. E a não-surpresa por não ter ouvido uma vez - não ouvi tudo... - citada a versão do D. Quixote e o "nosso" No cavalo de pau com Sancho Pança

quinta-feira, setembro 13, 2007

GMR e SdaT no Jornal de Letras (Listopad)







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Na página que publica semanalmente em Jornal de Letras, na edição desta semana Jorge Listopad refere-se a Onde estava Vossa Mercê nos painéis?, de Gonçalo Morais Ribeiro.

O livro será apresentado no domingo, 16, nos Castelos de Ourém, pelas 17 horas.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Informação/convite




No dia 16 de Setembro, domingo, às 17 horas
a

vai promover, num torreão dos Castelos de Ourém

(disponibilizado pela Câmara Municipal),
um debate-apresentação de:



(uma maneira original, fundamentada numa longa investigação,
de levantar uma questão que atravessa a nossa História)





com o autor,
Gonçalo Morais Ribeiro


e “Vossa Mercê”….
onde vai estar no dia 16?

segunda-feira, setembro 03, 2007

Onde estava Vossa Mercê nos painéis?


No termo e nos termos deste seu labor, usando e abusando das disjuntivas, vem o editor e actor de outros estatutos, deixar duas palavras (que sempre mais que duas são…) em honra e louvor de quem congeminou e foi autor desta obra.
Totus in illis, Gonçalo Morais Ribeiro, que parece ter querido fugir a deixar a sua identificação para além de três iniciais arrevesadamente responsabilizadoras, fez das “tábuas” jangada sua, e por elas e nelas viajou, descobrindo caminhos novos, julgando outros ter descoberto, alguns inventando com imaginação e mão fina e afinada.
A outréns, doutores e professores, caberá, ou melhor: caberia, avaliar o mérito (e talvez o atrevimento) desta viagem em que G.M.R. se investiu e revestiu de por vezes curiosas roupagens, e por via da qual se entranhou adentro estranhas gentes, cousas e feitos.
A nós, das edições e de outras (boas) acções e (malas) artes, coube transformar o metódico e caótico (sim, as duas coisas!) original neste volume.
Em nome de