Há quase 40 anos foi uma pedrada no charco!Vamos ouvir e falar disso, e de outras "coisas" do António Gedeão, com o Manuel Freire, no dia 10 de Março, a partir das 16 horas.

inicia, no seu espaço
no dia 10 de Março,
pelas 16 horas,
uma série de iniciativas,
a que deu o nome,
leitores ao encontro de autores,
em que um grupo de leitores
se prepara para conversar com um autor escolhido,
o que poderá ser animado
por um “leitor especial” desse autor.
Para começar,
o autor será
António Gedeão e o "leitor" Manuel Freire
- venham sentar-se connosco
sobre uma "pedra filosofal"
(e outras que lhes são comuns)
e conviver

Estamos mesmo no cruzamento em que Cervantes cede o passo a D. Quixote. É um momento crucial do livro de Aquilino Ribeiro. Nele nos devemos deter, saboreando a prosa e confrontando as duas vidas, ou uma vida que a outrém (o engenhoso fidalgo dom Quixote de la Mancha) vida deu ao escrever um livro com o nome deste por título, debaixo do nome seu (Miguel de Cervantes Saavedra) como autor (ou acima, conforme as edições).
Voltamos já!


Mas não se falou só de Escrever nas paredes, também se conversou sobre as Mulheres à flor da pele, outro livro de João Lázaro que merece ser lido, e de tudo que veio à baila.
Foi "joli c'mo caraças", diria o "pintas" da Zündapp, personagem de uma das crónicas de Escrever nas paredes!
apresentação do livro de
Escrever nas Paredes
Quijanos, os bons, Salazares, ávidos e demandistas, e toda a fidalguia provinvial de meia-tijela, poupadinha, cautelosa, prestando ouvido empolgado ao mexerico, lidos de Amadis e do Livro de Carlos Magno, poucos os que assinavam mais do que de cruz, no geral honrando-se todos de suas letras gordas. Se a estes figurantes do Quixote, das novelas e entremezes, nem sempre os trasladou dali, tais quais, com o próprio nome, forneceu-lhe Esquívias bom madeirame para a sua oficina de ficcionista. Pelo processo dos enxambladores, tirando deste e ajuntando daquele, afeiçoando tal outro, corregendo além, assim perfez a lotação da sua romanceada arca de Noé.
Não resisto, desculpem lá os que, eventualmente..., leram este pequeno trecho: que maravilha!
Ainda nessa página (já 105...), Aquilino continua a discorrer sobre o tema, e com ele vai até ao fim do capítulo, retomando-o mais adiante e no final do livro.
Embora o tempo tivesse sido muito escasso para divulgação e promoção da iniciativa, a oportunidade de ter, de novo, João Carlos Silva no nosso espaço resultou num muito agradável encontro, com apresentação do seu novo livro e com um convívio e uma conversa muito agradáveis em que o nosso convidado confirmou as suas excelentes capacidades de comunicador e de divulgar da cultura, ressaltando-se preocupação com a preservação e a valorização da língua portuguesa. Aliás, o próximo programa de televisão de João Carlos Silva chamar-se-á Sal na língua, título inspirado em Eugénio de Andrade, e percorrerá todos os países onde se fale (e cozinhe) em português.


... e, já agora, "façam o favor de ser felizes"! 'Tá bem?!
no dia 24 de Janeiro, 4ª feira,
a partir das 18.30 horas,
para conversar e conviver,
e apresentar o livro-intimação

apareçam!

A carta de Cervantes, pródiga em salamaleques e de redacção retorcida, endereçada já de Madrid para Lisboa, parece mais a de um demandante vulgar, corrido, mas sempre delicado, acalentando em si voltar com o cantil, pois que evita queimar as pontes, mas de letras mal estreadas nestas maranhas. Afinal, denuncia o estado de espírito e a situação do homem aux abois com aquele estilo tão fora das normas do cursivo burocrático. esse para o qual os escritores de raça têm visceral inaptidão. O enrodilhado da frase constitui ainda a prova iniludível de quanto o escritor se via contrafeito, sabe-se lá em que horas de desnudez absoluta. Quem em semelhantes auges escreve uma carta com altivez e rectitude mental? O mesmo acontece ao postulante que se apresenta à potestade, de corda ao pescoço. Entaramela-se-lhe a voz e as palavras que profere carecem de propriedade, se algum nexo encerram. O infeliz é canhestro. Odioso. Vendo-se ao espelho, seria o primeiro a reconhecer que merecia ser corrido a pontapés. Em geral despedem-no com requintes de cerimónia e compostura.

No dia 27 de Janeiro, pelas 15 horas,
mais uma apresentação de um livro...
mas de um livro especial:
um livro que tem Ourém lá dentro
(e muita gente de Ourém, conhecida e amiga)
Será um reencontro e conversa
de quem fotografou e legendou
com
quem foi fotografado e legendado
vai ser giro!
E os portugueses? Como reagiram os portugueses (se é que como portugueses reagiram...) à entrada de Filipe II em Lisboa e aos 60 anos de soberania filipina? Em vários momentos do seu ensaio Aquilino escreve sobre esse tempo e essa "convivência", quase sempre actualizando-os (para 1960 e, também, para hoje, quase 50 anos passados).


, uns curtos trechos ilustrado por uma gravura entre as que tive a sorte de encontrar no meio do livro que procurava há 40 anos e encontrei em alfarrabista do Porto (No cavalo de pau com Sancho Pança, Aquilino Ribeiro - 1ª edição, 1960):"(...)Da massa destes cativos, sem nome, sem medo e sem responsabilidades, saíam os renegados. O sofrimento tinha limites. Uma vez que abjurassem da lei em que haviam nascido e abraçassem o novo estado de coisas, acabava-se o cativeiro. Era disso que se temia o Pe. Graciano no Tratado de la redempción de captivos. Por toda a Berberia se verificava andar a grande maioria dos cristãos esquecida da lei de Deus e em risco de perder-se. Os moiros empenhavam-se particularmente em conduzi-los a renegar, casando-os com as filhas, às vezes ricas e bonitas. E acrescenta na mesma ordem de ideias o padre: Doze mil escudos, ouro, prometia certo moiro a um sacerdote cativo em Tunes se quisesse renegar e casar com a sua menina de 15 anos, a qual era extremamente bem-parecida. Com semelhantes tentações por um lado, sevícias por outro, os trânsfugas para o arraial de Mafona eram aos cardumes."
(...)
"A França amansou e civilizou aquela corda de terras agarenas que andavam fora de toda a lei, arrasando os antros abomináveis. E agora pesam aos argelinos e tunisinos os grilhões que outrora deitavam aos outros. A história vai-se desdobrando segundo um ciclo sem fim e mal é que paguem os homens dois dias de sol com cem anos de tempestade (...)"
Sobre as irmãs de Miguel Cervantes, estas breves e aquilinas pinceladas (páginas 24-25), a que muitas outras se poderiam juntar:
Reler Aquilino, reler o No cavalo de pau com Sancho Pança, é, para mim, intraduzível. Sinto uma sensação de gozo, de saborear, talvez maiores por serem um gozo e um saboreamento adiados .
Manuela Cruzeiro, responsável pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, e que, de certo modo, moderou o animado debate, Carlos Baptista e Fernando Martinho, falaram da História que por eles foi feita, sem se darem ares de heróis, ou sequer de protagonistas, e a conversa foi muito útil para o objectivo de combater a desmemória.
"1. Pode separar-se esquecimento e desmemória. Se o primeiro sugere descuido, acidente, o obscurecer casual da reminiscência do passado, a segunda implica um apagamento voluntário da lembrança, um desconhecimento, ou mesmo um desinteresse por áreas do vivido, consideradas irrelevantes e não-instrumentais. (...)"
E é muito interessante, e pedagógico…, ler e interpretar esses testemunhos. Por quem por outros tempos, que atravessaram esses, começou a luta, por quem fez essa mesma luta de maneiras muito diferentes noutros lugares, por quem não viveu esses tempos e nesses lugares e sente necessidade de conhecer como foram vividos. Os tempos e os lugares,
Na sua reunião de ontem, a gerência da Som da Tinta resolveu fazer o lançamento, ou a apresentação, de Foto&Legenda em Janeiro, para qua haja uma preparação à altura do evento e para não colidir com a vinda do Benfica jogar com o Juventude Ouriense...
Do "blog" FOTO&LEGENDA, que já tem perto de 300 "posts", retiraram-se sete dezenas com tópicos (nas fotos e/ou nas legendas) que dizem respeito a Ourém e a oureenses.
"Não sei como o perceberão as crianças de agora, mas, naquelas épocas remotas, para as infâncias que fomos, o tempo aparecia-nos como feito de uma espécie particular de horas, todas lentas, arrastadas, intermináveis. Tiveram de passar alguns anos para que começássemos a compreender, já sem remédio, que cada uma tinha apenas sessenta minutos, e, mais tarde ainda, teríamos a certeza de que todos estes, sem excepção, acabavam ao fim de sessenta segundos..."
Como António Sousa é quem vem, a Ourém, à Som da Tinta, falar sobre Fernando Lopes Graça, no próximo dia 25, às 17 horas, pareceu oportuno lembrar quem é António Sousa. O que, para muitos oureenses, é mais que dispensável pois bem o conhecem do Chorus Auris, de que foi maestro muitos anos. Aliás, a iniciativa da Som da Tinta será também um reencontro pois o Chorus Auris dará um concerto com obras de Lopes Graça, como já se anunciou.
Mais um livro do português Prémio Nobel da Literatura. Um livro de José Saramago. As (suas) Pequenas Memórias.
notável compositor português,
uma figura maior da cultura portuguesa
António Sousa
(do Canto Firme e ex-regente do Chorus Auris,
também nosso vizinho e amigo)
falará de Lopes Graça
e o “nosso”
Chorus Auris
dará um concerto:
Programa
A Senhora d’Aires (*)
Ó Senhora do Amparo (*)
Ind’agora aqui cheguei (*)
Acordai! (**)
Cantemos o novo dia (**)
Combate (**)
Jornada (**)
Canção do camponês (**)
Ó pastor que choras (**)
Mãe pobre (**)
Ronda (**)
Canto do livre (**)
(*) – canções tradicionais harmonizadas por Lopes Graça
(**) – “heróicas”, canções de Lopes Graça sobre poemas de autores portugueses, como José Gomes Ferreira, Luísa Irene, Joaquim Namorado, Carlos de Oliveira, João José Cochofel, acompanhadas ao piano por Pedro Cruz
"Uma poesia de fundo popular e de projecção colectiva só se justifica e atinge o seu verdadeiro desígnio quando utilizada por aqueles a quem se dirige."
consulte, também, o excelente blog Cant'Auri(a)s